Quarta-feira, 17 de Junho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 17 de junho de 2026
Os Estados Unidos divulgaram nesta quarta-feira (17) o texto oficial do memorando de entendimento firmado com o Irã no último fim de semana. O documento estabelece as bases para o encerramento das hostilidades entre os dois países, a reabertura do Estreito de Ormuz, o alívio gradual de sanções econômicas e a retomada das negociações sobre o programa nuclear iraniano.
Segundo um alto funcionário do governo americano, o memorando representa um primeiro passo para um acordo mais amplo que deverá ser negociado nos próximos dois meses.
“Trata-se, fundamentalmente, de um acordo que nos permite reabrir imediatamente o Estreito de Ormuz, comprometer os iranianos a eliminar o material nuclear remanescente e criar um mecanismo para ampliar o alívio econômico e das sanções caso o país demonstre comportamento cooperativo”, afirmou.
Batizado de “Memorando de Entendimento de Islamabad entre os Estados Unidos da América e a República Islâmica do Irã”, o documento foi divulgado após críticas sobre a falta de transparência em relação ao conteúdo do entendimento alcançado pelas partes.
O acordo deverá ser formalmente assinado na sexta-feira (19), iniciando um período de até 60 dias para a negociação dos termos definitivos.
Entre os principais compromissos assumidos pelas partes está o encerramento imediato das operações militares e a promessa de não iniciar novas ações armadas uma contra a outra. O texto também prevê o respeito mútuo à soberania e à integridade territorial dos dois países.
Outro ponto central é a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Pelo memorando, os Estados Unidos se comprometem a retirar gradualmente o bloqueio naval imposto à região e a reduzir sua presença militar nas proximidades do território iraniano.
Em contrapartida, o Irã deverá garantir a passagem segura e sem cobrança de taxas para embarcações comerciais que transitam entre o Golfo Pérsico e o Mar de Omã. A normalização do fluxo marítimo deverá ocorrer de forma gradual ao longo dos próximos 30 dias.
O documento também estabelece bases para um amplo programa de reconstrução e desenvolvimento econômico do Irã. Os Estados Unidos afirmam que trabalharão com parceiros regionais para estruturar um plano estimado em pelo menos US$ 300 bilhões, cuja implementação será detalhada durante as negociações do acordo definitivo.
Na área econômica, Washington concordou em discutir o fim gradual das sanções impostas ao Irã, incluindo restrições financeiras, comerciais e energéticas. O memorando prevê ainda a emissão de autorizações para exportações de petróleo iraniano e a liberação de ativos financeiros atualmente congelados no exterior.
A questão nuclear permanece como um dos temas centrais das negociações. O Irã reafirma no documento que não pretende desenvolver armas nucleares e concorda em discutir a destinação de seu estoque de material enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Até a conclusão do acordo definitivo, os dois países concordaram em manter o atual cenário. O Irã não ampliará seu programa nuclear, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar na região.
O memorando também prevê a criação de um mecanismo de monitoramento para acompanhar o cumprimento dos compromissos assumidos e estabelece que o futuro acordo final deverá ser submetido ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para receber respaldo internacional.
A divulgação do documento ocorre em um momento considerado decisivo para a estabilidade do Oriente Médio e para os mercados globais de energia. A reabertura do Estreito de Ormuz é vista como um dos pontos mais relevantes do entendimento, já que a região concentra uma parcela significativa das exportações mundiais de petróleo.
Caso as negociações avancem dentro do cronograma previsto, Estados Unidos e Irã poderão chegar a um acordo definitivo até o fim de agosto, encerrando uma das mais prolongadas disputas diplomáticas e estratégicas das últimas décadas.