Terça-feira, 04 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 4 de agosto de 2026
A Fifa classificou, nesta terça-feira (4), como “pura ficção” uma notícia de que o presidente da entidade máxima do futebol, Gianni Infantino, teria buscado apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, após o fracasso de um plano para vender uma participação nos direitos comerciais da Copa do Mundo.
A negativa surgiu depois que o jornal New York Post noticiou, na segunda-feira (3), que Infantino tentou repetidamente, sem sucesso, falar com Trump por telefone desde que a sua proposta foi rejeitada na sexta-feira (31) e que ele se sentia isolado em meio às críticas crescentes.
“O presidente da Fifa não fez nenhuma ligação para o presidente dos EUA, nem para membros de seu governo, nos últimos dias. É pura ficção”, afirmou a entidade em comunicado.
A repercussão negativa se intensificou em torno do plano fracassado de Infantino de transferir os ativos comerciais da Fifa para uma nova empresa apoiada por investidores privados.
A proposta da Fifa de captar até US$ 4,2 bilhões (R$ 20 bilhões) junto a investidores privados, por meio da venda de uma participação de cerca de 20% em uma entidade que gerencia competições – incluindo a Copa do Mundo –, fracassou após forte resistência das partes interessadas.
Trump e Infantino construíram uma relação próxima, aparecendo juntos em grandes eventos de futebol, incluindo a Copa do Mundo deste ano, sediada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá.
Com a repercussão negativa do plano, a possibilidade de Infantino de garantir um novo mandato como presidente da Fifa, de 2027 a 2031, passaram a ser alvo de questionamentos.
Entenda o plano de Infantino
A proposta consistia em abrir o braço comercial da Fifa para o capital privado, vendendo uma fatia dos direitos de suas principais competições, incluindo a Copa do Mundo masculina e o novo Mundial de Clubes. Diante de uma forte resistência global e ameaças de boicote, a Fifa foi forçada a anunciar a desistência oficial do projeto.
A estratégia de Infantino girava em torno da criação de uma nova subsidiária comercial, batizada de FFE (Fifa Forward Enterprise). A Fifa transferiria para essa nova empresa todos os seus valiosos direitos comerciais, o que inclui contratos de transmissão de TV, patrocínios globais e licenciamento de marcas. Com a estrutura montada, a entidade pretendia vender 20% das ações da FFE para fundos de investimentos privados.
O valor estimado da venda dessa fatia minoritária era de US$ 4,2 bilhões, o que projetava o valor total do negócio comercial da Fifa em US$ 20 bilhões. O “investidor âncora” interessado na compra era a gestora americana Thrive Capital, liderada por Joshua Kushner.
Para convencer as 211 federações de futebol associadas a aprovarem a mudança, Infantino utilizou uma agressiva barganha financeira. Ele prometeu distribuir o dinheiro arrecadado diretamente para os países da seguinte forma: um pagamento único de US$ 20 milhões para cada federação assim que o negócio fosse fechado e o aumento do investimento anual do programa Fifa Forward de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões até o ciclo de 2030.
O prazo final estipulado por Infantino para que as federações aderissem e assinassem o termo de consentimento era o dia 19 de setembro.