Domingo, 20 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de setembro de 2026
Uma nova decisão da Justiça de Pelotas reforçou a responsabilização por graves crimes sexuais cometidos contra crianças por parte do ex-vereador da cidade, Roger Ney. Ele foi condenado a 84 anos, 10 meses e 10 dias de prisão pela prática de crimes sexuais contra três vítimas que, na época dos fatos, eram crianças. Em junho, o mesmo réu já havia sido condenado por crime semelhante.
A denúncia referente à atual condenação é do promotor de Justiça Mateus Stoquetti de Abreu. A 4ª Vara Criminal de Pelotas reconheceu a prática dos crimes de atentado violento ao pudor com violência presumida e de estupro de vulnerável, com base nas provas produzidas durante a investigação e a instrução processual. A denúncia foi apresentada pelo MPRS em 17 de dezembro de 2025 e a sentença foi proferida na última quarta-feira, 16 de setembro. Na decisão, a Justiça considerou a materialidade dos fatos e a autoria dos delitos, destacando a consistência dos relatos das três vítimas e sua compatibilidade com as demais provas. A sentença fixou indenização mínima para cada uma das três vítimas, sem prejuízo de eventual apuração de danos na esfera cível. O réu cumpre a pena em regime inicial fechado, teve mantida a prisão preventiva e não poderá recorrer em liberdade.
Outros crimes
Em junho deste ano, o ex-parlamentar também já havia sido condenado a 16 anos de prisão por estupro de vulnerável. Segundo Mateus Stoquetti de Abreu, casos dessa natureza demonstram uma realidade frequentemente observada nas investigações de violência sexual: “muitas vítimas encontram condições para romper o silêncio quando tomam conhecimento de que outras pessoas relataram fatos semelhantes envolvendo o mesmo investigado, contribuindo para o esclarecimento dos fatos, a proteção de possíveis novas vítimas e a responsabilização dos autores”.
O que diz a defesa
A defesa de Roger Ney afirmou que a condenação foi baseada somente na versão das vítimas e que irá recorrer da decisão.
“A defesa de Roger Ney, representada pelos advogados Filipe Trelles e Marcela Weiler, recebe com estarrecimento e profunda indignação a sentença de sua condenação.
Atuando no caso desde o inquérito, conhecemos o processo e enfrentamos o desafio perverso de provar o fato negativo diante de acusações genéricas de anos atrás.
É inadmissível fundamentar uma decisão desse porte unicamente na palavra das vítimas, cujas narrativas acumulam contradições apontadas, inclusive, por familiares que atestam a inocência de Roger.
Roger esta em choque, arrasado e profundamente abalado, sobretudo pelo completo desprezo ao seu depoimento, que foi ignorado na sentença.
Contudo, mantemos nossa confiança na seriedade dos Tribunais e recorreremos imediatamente contra essa decisão para restabelecer a verdade e a justiça.”