Domingo, 20 de Setembro de 2026

Home em foco Em mensagens, Daniel Vorcaro chamava o senador Otto Alencar de “conselheiro” e “comandante”

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Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro pela Polícia Federal mostram que o banqueiro tratava o senador Otto Alencar (PSD-BA) como seu “conselheiro” e recebia, por meio de um advogado, recados frequentes atribuídos ao parlamentar. O material também revela tentativas de marcar reuniões presenciais entre o dono do Master e o congressista, que nega ter se reunido com Vorcaro.

Um relatório da PF aponta que o advogado Ciro Soares, que atuava para Vorcaro e tinha relação pessoal com integrantes dos três Poderes, atuava como intermediário entre o banqueiro e o parlamentar. O defensor, segundo os investigadores, costumava avisar Vorcaro quando estava reunido com Otto, enviava fotos ao lado do parlamentar e ligava para o banqueiro para transmitir “recados” do senador.

Procurado, Otto, que não é investigado, disse que nunca esteve com Vorcaro. Soares, que também não é alvo de inquéritos relacionados ao caso Master, disse que seria “natural uma reunião entre líder político e líder empresarial”, mas que não “houve almoço ou encontros” entre o banqueiro e o senador organizados por ele. A defesa de Vorcaro não se manifestou, mas tem reiterado que o banqueiro está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.

Um dos diálogos em poder da PF ocorreu no dia 30 de maio de 2024. Naquele ano, Otto integrava as comissões de Constituição e Justiça (CCJ), considerada uma das mais importantes do Senado e hoje presidida por ele, e de Assuntos Econômicos (CAE), responsável por analisar projetos de interesse do setor financeiro.

Mensagens

“Otto queria falar com vc”, disse Soares em mensagem a Vorcaro.

“Me chama”, respondeu o banqueiro.

Após uma ligação perdida, Vorcaro retomou a conversa.

“Mande abraço pro nosso comandante aí. Esse aí é conselheiro e comandante nosso”, afirmou o dono do Master.

Meses depois, em 5 de dezembro de 2024, Soares disse a Vorcaro que eles precisavam conversar sobre uma medida tomada pelo senador, sem detalhar do que se tratava.

“Dani, muito importante falarmos. Otto fez um movimento grande pra vc. Ficou lhe aguardando ontem e hj”, afirmou o advogado.

“Estou num momento muito complicado, amigo”, justificou o banqueiro.

Os diálogos mencionando o senador aconteceram também ao longo de 2025, ano em que Otto assumiu a presidência da CCJ.

“Tô aqui com Otto agora. Perguntando de vc”, afirmou o advogado no dia 12 de novembro de 2025.

“Manda abraço pra ele. Estamos construindo virada de mesa. Mas precisarei de vocês”, disse Vorcaro.

“Hoje ele (Otto) botou pra fuder na sabatina”, respondeu Soares, em referência à recondução do procurador-geral da República, Paulo Gonet, aprovada naquele dia.

A PF aponta ainda que Soares ligava para Vorcaro com frequência quando estava acompanhado pelo senador e enviava fotos ao lado de Otto. Um dos episódios ocorreu no dia 19 de junho de 2025. O advogado telefonou para Vorcaro, que não atendeu.

“Ottão está dizendo que está com saudades de vc”, afirmou o defensor.

“E eu tô dele”, respondeu o dono do Master.

Os dois seguiram conversando e abordaram um evento que ocorreria em Londres, do qual participariam autoridades e que tinha o Master entre os patrocinadores. Soares afirmou que estava convencendo o senador a fazer a viagem, e Vorcaro concordou.

“Tem que ir. Vamos tomar os top Macallan”, disse o banqueiro, em referência ao uísque.

“Ele gosta da gente. O cara lhe adora também”, afirmou Soares.

“Emenda Master”

Após a publicação da reportagem de O Globo, Otto afirmou que falou com Soares e lembrou que conversou com Vorcaro “duas ou três vezes por telefone”, por meio do aparelho do advogado. O senador disse que o dono do Master pediu apoio à aprovação do texto que ficou conhecido como “emenda Master”, que ampliava de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite oferecido pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC). A iniciativa foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) em acordo com o banco, segundo as investigações.

O Master tinha interesse no tema porque poderia aumentar a captação de recursos, o que favoreceria seu modelo de negócios. A emenda não foi adiante porque foi rejeitada pelo relator da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Autonomia do Banco Central, senador Plínio Valério (PSDB-AM). (As informações são do jornal O Globo)

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