Domingo, 20 de Setembro de 2026

Home em foco Diretores do Banco Master tratavam a advogada que recebeu R$ 33 milhões de Daniel Vorcaro como “sócia” do ministro do Supremo Gilmar Mendes

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A advogada Dalide Corrêa, que recebeu R$ 33 milhões do Banco Master, foi citada em mensagem ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro como “sócia” do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, segundo o jornal O Globo. O ministro diz que a afirmação é falsa.

Ex-diretora do IDP, instituição de ensino que tem o magistrado como sócio, Dalide atuou para o Master em questões relativas ao mercado de precatórios. Gilmar afirmou à Folha de S. Paulo que não tem relação pessoal ou profissional com ela, tratando-a apenas como ex-funcionária.

De acordo com a reportagem de O Globo, Vorcaro e o então diretor jurídico do banco, Luiz Rennó, falaram sobre o pagamento em dezembro de 2024. A conversa tratava de cobranças da advogada sobre desembolsos não realizados.

“Fala amigo! Aquele pagamento é para Dalide! Aqueles precatórios! Ela é sócia do GM stf! O Leandro sócio dela é muito complicado e eles operam com o BTG. Autoriza esse”, teria escrito Rennó a Vorcaro na ocasião, conforme diálogo obtido pela Polícia Federal a partir do celular de Vorcaro.

Segundo a publicação, o banqueiro e seu auxiliar discutiam um repasse de R$ 15 milhões para a advogada.

O gabinete do magistrado no STF afirmou que a afirmação atribuída a executivos do Banco Master é falsa e que o magistrado nunca teve qualquer sociedade com a advogada, nem no IDP nem em qualquer outra empresa.

Ainda de acordo com o gabinete, Dalide foi diretora-geral do IDP e deixou o instituto em novembro de 2016, e o decano do STF “não tem conhecimento de atuação da advogada em processos relacionados a precatórios do setor sucroalcooleiro”.

O posicionamento registra ainda que Dalide Corrêa nunca tratou do assunto com o magistrado e destaca os votos contrários do ministro “contra o pagamento em todos os processos do setor sucroalcooleiro que julgou, em linha com as teses defendidas pela União. (…) Em nenhum deles o voto foi favorável aos interesses do Banco Master”.

Pedido negado

Gilmar Mendes encontrou Vorcaro no STF, em abril de 2024, como mostrou a colunista da Folha, Mônica Bergamo. Na ocasião, o banqueiro pediu que o ministro votasse a favor de uma causa bilionária envolvendo usinas do setor sucroalcooleiro que o beneficiariam diretamente, mas não foi atendido.

O Master mantinha em carteira bilhões em créditos dessas empresas, em forma de precatórios que perderiam valor caso a Corte não reconhecesse a validade de ações indenizatórias movidas por elas contra a União.

Na época do encontro, Vorcaro mantinha um contrato de R$ 500 mil mensais com o empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes. Feitosa foi quem aconselhou o banqueiro a tentar construir uma relação com o ministro. (As informações são da Folha de S. Paulo e O Globo)

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