Sábado, 19 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de setembro de 2026
Os comitês eleitorais do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) vão intensificar a campanha pelo chamado voto útil nessa reta final antes do primeiro turno das eleições. Em um cenário de empate técnico entre os principais adversários, o objetivo é liquidar a fatura em 4 de outubro.
Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (17) mostra Lula com 39% das intenções de voto no primeiro turno, ante 36% de Flávio. Na simulação de segundo turno, Lula continua com 46%, e Flávio, com 44%, empatados tecnicamente na margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou menos.
O sucesso da estratégia do voto útil depende de que eleitores de candidatos com menor percentual nas pesquisas sejam convencidos a migrar seus votos a partir da percepção de derrota do nome de sua preferência.
Na mira de Flávio, estão Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo), que, juntos, aparecem com 15% das intenções de voto.
Terceiro colocado na pesquisa desta quinta, com 6% das intenções de voto, Cury também é alvo de Lula, já que uma parte do eleitorado do escritor admite votar no petista no segundo turno.
O desafio da coordenação das campanhas de Lula e Flávio consiste em convencer esse eleitor para que mude seu voto no primeiro turno. Esse movimento tem de ser feito sem melindrar os adversários dos quais se espera apoio em um segundo turno, avaliam aliados de ambos.
Neste cenário, Lula teria menos espaço de ampliação já que os adversários estão posicionados à direita do presidente. Para vencer, Lula precisa conquistar o eleitor indeciso, que hoje representa 3% do total, segundo a pesquisa.
Estratégias
Além de provar que seu candidato é quem vai ganhar a eleição, os estrategistas dizem ser preciso investir na rejeição do opositor. Integrantes das duas chapas afirmam que Lula aparece na frente de Flávio quando o eleitor é perguntado sobre qual candidato vai ganhar as eleições, o chamado “sentimento de vitória”.
Por isso, Flávio quer reforçar a sensação de que Lula estaria desesperado com a possibilidade de perder no primeiro turno das eleições. Um novo jingle da campanha do PL diz “Virou, virou, virou, virou” e que “o Brasil agora é Flávio”.
Nos últimos dias, o senador colocou um recado para os contatos dele no WhatsApp em que dizia “Vamos resolver no 1º turno”. No Instagram, foram ao ar publicações com frases como “Não deixe para o 2º turno o que você pode fazer no 1º”.
Aliados de Lula comemoraram a estabilidade dos resultados da pesquisa Datafolha mais recente. Os resultados foram próximos aos da semana passada, com a diferença do avanço de um ponto percentual de Flávio no primeiro turno.
A equipe de Lula dá ênfase ao fato de o petista continuar na dianteira das intenções de voto e compartilha a percepção de que a crise do STF (Supremo Tribunal Federal) não impactou o cenário.
“É hora de ampliar nossa mobilização nas redes e nas ruas, fortalecer nossa caminhada e trabalhar para derrotar o bolsonarismo ainda no primeiro turno. O Brasil está pronto para mais”, afirmou ainda.
Demais aliados também afirmam que este momento final deve ser de intensificação da militância. Integrantes da campanha receberam orientação específica do coordenador Edinho Silva para que reforcem as propostas de governo de Lula.
Para o coordenador da campanha em São Paulo, Marco Aurélio de Carvalho, a oscilação de Flávio já mostra a migração do eleitorado de Cury, grupo que chama de “bolsonaristas envergonhados”.
O advogado reforça que o atual momento deve ser voltado a comparar projetos de governo e sugerir que o rival é uma versão piorada do pai, Jair Bolsonaro. “Flávio não tem estatura moral, competência para presidir o país e consegue ser mais bandido do que o pai”, afirma.
“Mesmo diante de uma semana turbulenta, seguimos firmes, na liderança, com esperança e disposição para continuar avançando por um Brasil com mais oportunidades, dignidade e justiça social”, diz o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT). (As informações são da Folha de S. Paulo)