Domingo, 14 de Agosto de 2022

Home em foco Estudo britânico aponta que varíola dos macacos infecta mais homens gays

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O surto de varíola dos macacos começou a adoecer milhares de pessoas em todo o mundo e uma das principais dúvidas é porque um vírus que nunca conseguiu se espalhar além de alguns casos fora da África de repente alcançou um nível global.
Um estudo da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM), publicado ainda sem revisão, sugere que o surto pode ter entrado em redes sexuais altamente interconectadas na comunidade de homens que fazem sexo com outros homens.

De acordo com a pesquisa, o surto pode continuar crescendo rapidamente se a propagação não for reduzida. Mas é importante não estigmatizar a comunidade já que outros grupos também podem ser infectados.

Desde o início de maio, mais de 2 mil casos de varíola dos macacos foram relatados em mais de 30 países onde o vírus normalmente não é visto. Os pesquisadores da Agência de Segurança de Saúde do Reino Unido (UKHSA) pediram aos pacientes que preenchessem questionários. Dos 152 que o fizeram, 151 disseram eram da comunidade.

Os encontros sexuais desempenham, segundo o estudo, um papel na transmissão. Das 152 pessoas no conjunto de dados UKHSA, 82 foram convidadas para entrevistas adicionais com foco em sua saúde sexual. Entre os 45 participantes, 44% relataram mais de 10 parceiros sexuais nos 3 meses anteriores e 44% relataram sexo grupal durante o período de incubação.

Um outro estudo, publicado na revista The Lancet Infectious Diseases, analisou 54 pacientes que compareceram a clínicas de saúde sexual em Londres, no Reino Unido, e foram diagnosticados com varíola dos macacos em maio. Os resultados sugerem que os indivíduos dessa coorte tiveram uma prevalência maior de lesões de pele na região genital e anal e menor queixa de cansaço e febre do que em surtos da doença previamente estudados. Com base nas descobertas, os autores sugerem que as definições atuais de diagnóstico devem ser revisadas para ajudar a identificar corretamente os casos.

Os autores também prevêem que a alta prevalência de lesões de pele genital em pacientes e a alta taxa de infecções sexualmente transmissíveis concomitantes significam que as clínicas de saúde sexual provavelmente verão casos adicionais de varíola no futuro. Eles pedem mais recursos para apoiar os serviços no gerenciamento dessa condição.

Limitações do estudo

O estudo também observou diferenças importantes nas características clínicas da coorte analisada em comparação com casos de surtos anteriores ocorridos em outros países. Uma proporção menor dos pacientes relatou se sentir fraco e cansado e/ou ter febre e, além disso, 18% não relataram nenhum sintoma precoce antes do início das lesões cutâneas.

“Dada a rota sugerida de infecção por contato sexual e o número de descobertas clínicas diferentes das descrições anteriores, sugerimos que as definições de caso, detalhando sintomas como doença aguda com febre, devem ser revisadas para melhor se adaptar à atual situação”, disse um dos pesquisadores.

Os autores reconhecem algumas limitações do estudo, principalmente sua natureza observacional e retrospectiva. Além disso, os dados estão sujeitos a vieses de seleção, pois as orientações atuais e os materiais de promoção da saúde solicitam testes de varíola em indivíduos sintomáticos que se autodefinem como homens que faz sexo com homens. Os autores alertam que as descobertas podem não ser representativas do surto geral e enfatizam que é importante permanecer alerta para a possibilidade de disseminação para outros grupos.

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