Terça-feira, 30 de Junho de 2026

Home Política Ex-ministro de Bolsonaro sai em defesa de Michelle e fiz que candidatura de Flávio é “frágil”

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Escanteado pela família Bolsonaro na formação de chapa para a disputa eleitoral em São Paulo, o ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo-SP) avalia como frágil a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e vê na ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro um nome mais sólido para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Salles, deputado federal e pré-candidato ao Senado, diz que só apoiaria o filho mais velho de Jair Bolsonaro na briga pelo Palácio do Planalto no segundo turno – no primeiro, pretende subir no palanque do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, do Novo, partido para o qual o parlamentar migrou em agosto de 2024 depois de se desfiliar do PL, de Valdemar Costa Neto.

Valdemar é alvo das principais críticas de Salles na entrevista que o deputado concedeu ao Estadão. O ex-ministro chama de “pupilo de Valdemar” o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), também apoiado por Flávio e Eduardo Bolsonaro para uma das vagas ao Senado por SP, ao lado do ex-secretário de Segurança Guilherme Derrite (PP).

“Nós sabemos quem é o Valdemar da Costa Neto (sic), aquele que foi preso no Mensalão, aquele que tem todo um histórico de um partido que já foi apoiador do PT, tem discurso dele junto com o Zé Dirceu, dizendo ‘nós da esquerda’. Ou seja, o André do Prado é o Valdemar da Costa Neto cuspido e escarrado”, afirma.

— Confira os principais trechos da entrevista:

1) Michelle soltou um vídeo com críticas ao Flávio. Qual é a leitura que o senhor fez desse vídeo, qual o impacto eleitoral que ele pode ter de agora em diante?

Eu tenho grande respeito pela (ex) primeira-dama Michelle. E a Michelle teve um papel e tem ainda um papel muito importante de quebrar essa resistência, de mostrar que a direita também respeita as mulheres. A maneira com que ela escolheu de se manifestar publicamente é típica de alguém que já não aguenta mais a pressão. Esse movimento dos filhos do Bolsonaro, em especial do Carlos e do Eduardo, talvez menos do Flávio, em fomentar nas redes sociais via influenciadores ligados a eles.

Esses influenciadores estão há meses, para não dizer anos, atacando a Michelle reiteradamente de uma maneira muito baixa. E ela chegou a um momento em que não aguentou. E ela, obviamente, pelo que descreveu, também teve problemas com o Flávio recentemente, de quem ela provavelmente esperaria uma atitude muito mais equilibrada e até de certa forma de repreensão aos irmãos e a esses influenciadores que têm proximidade com os irmãos de não continuar essa guerra velada ou até declarada pelas redes sociais. E ela se revoltou contra isso.

Você pode até dizer que a manifestação dela é eleitoralmente ruim para candidatura da direita para derrotar Lula, e de fato não é positivo. Realmente é ruim. Mas também ela é um ser humano que chegou no limite da tolerância com esse tipo de abuso, com esse tipo de crítica, com esse tipo de atuação desleal contra ela.

2) O senhor sofre desses ataques também?

Eu sofro, mas eu não ligo. Eu tenho minhas próprias posições. Eu comecei a militar na direita há 20 anos, quando fundei o movimento endireita Brasil. Eu não vim para a política junto com o Bolsonaro e nem muito menos com os filhos dele. Eu não dependo dos filhos dele para absolutamente nada. E segundo, eu respondo na mesma moeda na medida em que eu sou atacado.

3) Qual o grau de musculatura que a candidatura do Flávio tem? Como o eleitor vai absorver o caso Michelle e o caso dos áudios do senador com o banqueiro Daniel Vorcaro?

Eu acho que é uma candidatura frágil. Eu acho, de fato, que ele vai ter muita dificuldade. A sorte dele é que, também pelo lado do PT, a coisa está muito complicada. Quer dizer, essa ligação do Jaques Wagner com Augusto Lima, e já, já, do Rui Costa, enfim, a relação também umbilical do PT com os rolos todos, mesada pro Lulinha lá do Careca do INSS e todo esse rolo que o PT está sempre metido, acaba tornando essa discussão uma coisa meio pastosa que pega todo mundo.

Mas, por outro lado, esse episódio do Vorcaro subtrai da direita um pouco da capacidade de criticar e atacar. Porque você também, o pessoal falou: “Ah, e você, então você também tá envolvido”. Então, eu acho realmente que se fosse uma candidatura mais sólida seria melhor. Até a própria Michelle, na minha opinião, seria uma candidata mais sólida do que a candidatura do Flávio. (Com informações de O Estado de S. Paulo)

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