Quinta-feira, 17 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 16 de setembro de 2026
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) decidiu manter Edson Fachin fora da linha de ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e orientou o candidato a evitar críticas também a Gilmar Mendes, numa tentativa de preservar interlocutores na Corte enquanto explora eleitoralmente a crise envolvendo Alexandre de Moraes. Em paralelo, auxiliares do senador começaram a solicitar novas audiências com ministros para a próxima semana, ainda sem datas confirmadas, com o objetivo de acompanhar os desdobramentos da crise sem fechar canais de diálogo com o tribunal.
A estratégia foi acertada no entorno de Flávio após o julgamento de terça-feira (15) sobre a abertura de uma investigação envolvendo Moraes, interrompido por um pedido de vista de Flávio Dino. A avaliação é que o candidato continuará explorando a crise e subindo o tom contra Moraes, mas de forma seletiva: Fachin e Gilmar são tratados como nomes que devem permanecer fora do embate.
A orientação já pôde ser percebida no discurso de Flávio nessa quarta (16). Durante agenda em Juazeiro do Norte (CE), o candidato voltou a vincular Lula ao Supremo e afirmou que “sem os ministros do Lula no Supremo, a democracia vive”. Auxiliares afirmam que ele foi orientado a ter cuidado para que a ofensiva não alcance ministros com os quais a campanha pretende manter interlocução.
Na véspera do julgamento, os advogados criminalistas Matteus Macedo e Tracy Reinaldet foram ao Supremo e estiveram no gabinete de Fachin, segundo interlocutores. A assessoria do STF afirma que o presidente da Corte não recebeu os advogados naquele dia.
Canal com Gilmar
Com Gilmar, a interlocução é mais antiga. Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha, procurou o ministro no início do mês para discutir a crise no Supremo e deixar claro que a defesa do impeachment de Moraes não representava uma intenção de romper com o restante da Corte.
Na conversa, Marinho também buscou medir o ambiente no tribunal e os possíveis desdobramentos da disputa que então opunha Moraes e André Mendonça. Agora, segundo integrantes da campanha, a intenção é dar continuidade à interlocução e buscar novas audiências com ministros diante dos capítulos ainda em aberto da crise.
Gilmar também já manteve contato direto com Flávio. O ministro afirmou ter conversado algumas vezes com o candidato ao longo deste ano. A declaração foi dada ao negar a informação de que teria enviado um advogado de sua confiança para procurar Flávio em seu nome.
“Eu não preciso disso. Jamais vou usar intermediário. Já falei com ele algumas vezes este ano. Quando ele quiser, ele pode me procurar”, afirmou Gilmar.
O ministro citou ainda, na mesma manifestação, o encontro recente com Marinho e disse ter recebido Michelle Bolsonaro duas vezes para tratar do pedido de prisão domiciliar de Jair Bolsonaro.
A decisão de preservar Fachin e Gilmar estabelece, na prática, uma divisão na estratégia da campanha em relação ao Supremo. Moraes permanece como principal alvo da ofensiva, enquanto o entorno de Flávio tenta impedir que o confronto se estenda a ministros considerados canais de interlocução. No caso de Fachin, pesa ainda o fato de ele presidir a Corte durante uma crise cujos próximos capítulos podem coincidir com as semanas finais da campanha. (Com informações do portal O Globo)