Sábado, 05 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de setembro de 2026
Às vésperas do ato de 7 de Setembro, a campanha de Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, busca uma interlocução com o STF (Supremo Tribunal Federal) em meio a uma nova subida de tom da direita contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito das Fake News e da trama golpista. Na última quarta-feira (2), o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha bolsonarista, reuniu-se por cerca de quinze minutos com o ministro Gilmar Mendes, no gabinete do decano da Corte.
O objetivo é passar o recado de que as críticas a Moraes e a pressão para que ele deixe o cargo não significam um ataque à Corte. Gilmar foi procurado para que, em uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro, o decano possa contribuir para o processo de transição. Flávio Bolsonaro tem dito que, se vencer as eleições, quer construir com o Congresso uma anistia geral a todos os envolvidos no plano de golpe e nos atos de 8 de Janeiro. Caso não consiga, o candidato do PL promete conceder o perdão presidencial ao pai, que cumpre pena de 27 anos e três meses.
Apesar da promessa, o senador tem sido aconselhado a enviar emissários ao STF na tentativa de construir um diálogo e evitar a repetição dos embates ocorridos ao longo do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na conversa com Gilmar Mendes, Marinho disse que Flávio manterá uma relação institucional e de harmonia entre os Poderes. A reunião ocorreu um dia depois de o ministro André Mendonça, relator do caso Banco Master, retirar o sigilo de um relatório da PF (Polícia Federal) que indica supostas conversas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com Moraes.
A revelação das mensagens levou a oposição a protocolar um novo pedido de impeachment de Moraes e a aumentar a pressão para que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), paute o pedido. O grupo também enviou um pedido de providências ao presidente do Supremo, Edson Fachin. A escalada da crise no STF virou o principal ativo para o ato de campanha convocado por Flávio Bolsonaro para o feriado de 7 de Setembro, na Avenida Paulista.
A manifestação deve pressionar pela saída de Moraes e, ao mesmo tempo, fazer uma defesa do ministro Mendonça, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro à Corte. Flávio também passará a reforçar o discurso de que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provocará um desequilíbrio na Corte, diante da possibilidade de o petista indicar ao menos quatro novos ministros.
Neste mandato, Lula indicou Cristiano Zanin, seu ex-advogado, e o ex-ministro da Justiça Flávio Dino. Lula também indicou Jorge Messias, advogado-geral da União, mas ele foi rejeitado pelo Senado. Na quinta-feira (3), Moraes usou o inquérito das Fake News para pedir ao presidente do STF a abertura de uma investigação contra Mendonça. O magistrado alega haver “fortes indícios” da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por Mendonça na relatoria dos casos Master e INSS.
Na tentativa de controlar o confronto aberto entre os dois ministros, o presidente do STF determinou, na sexta-feira (4), que as apurações sobre Mendonça, pedidas por Alexandre de Moraes, fossem retiradas do inquérito das Fake News. Fachin determinou que o caso seja incluído no processo aberto por ele sobre o relatório da PF que aponta supostas conversas entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Mendonça, relator do caso Master, retirou o sigilo do conteúdo e o encaminhou à Presidência, pedindo que o caso seja analisado em plenário. Em evento no Palácio do Planalto, Edson Fachin defendeu o fim do inquérito das Fake News, aberto há sete anos, e a adoção de um código de ética. No evento, ele garantiu que todos os fatos estão sendo apurados.
“Não haverá precipitação, mas tampouco omissão. A resposta institucional será firme, proporcional e rigorosa”, disse. (Com informações do portal CNN)