Sábado, 05 de Setembro de 2026

Home Acontece Vitrine do Queijo: tecnologia, diversidade e impacto econômico da cadeia láctea

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Na 49ª Expointer, a Vitrine do Queijo transformou a degustação em uma aula prática de ciência e economia. Foram apresentados dez tipos de queijo e cinco variedades de doce de leite, elaborados a partir de diferentes matérias-primas — vaca, búfala, cabra e ovelha —, mostrando como tecnologia, inspeção e conservação são determinantes para a qualidade e competitividade dos derivados lácteos.

Ciência aplicada ao cotidiano

A professora Amanda de Souza da Motta, da UFRGS, explicou que a proposta foi mostrar tecnologias empregadas na fabricação de queijos e doces de leite. O público participou com perguntas sobre produção de requeijão, necessidade de refrigeração e processo de coagulação por acidez.  “A proposta é levar para a população conhecimentos do campo à mesa e mostrar as possibilidades que a matéria-prima oferece, incluindo derivados como ricota, leite em pó e leite condensado”, destacou Amanda.

Além disso, os visitantes foram orientados sobre a identificação dos selos de inspeção nos produtos, fundamentais para garantir segurança alimentar e procedência.

Diversidade de leites e produtos

Cada tipo de leite confere características únicas:

  • Vaca: equilíbrio entre gordura e proteína, base da maioria dos queijos.
  • Búfala: maior teor de gordura, ideal para mozzarella e derivados cremosos.
  • Cabra: sabor marcante, usado em queijos frescos e maturados.
  • Ovelha: alta concentração de sólidos, resultando em queijos intensos e aromáticos.

Essa diversidade foi traduzida em produtos como ricota, mozzarella de búfala, queijos maturados e doces de leite com diferentes consistências.

Dados técnicos e impacto econômico

O Brasil é hoje um dos três maiores produtores de leite do mundo, com cerca de 38 bilhões de litros por ano, e parte significativa desse volume é transformada em queijos e doces de leite. Em 2026, o Prêmio Queijo Brasil registrou recorde de 2.720 produtos inscritos, incluindo dezenas de variedades de queijos e doces de leite artesanais, mostrando a força e diversidade da cadeia láctea nacional.

Segundo levantamentos da Emater/RS-Ascar, o RS responde por cerca de 12% da produção nacional de leite, com forte presença de pequenas propriedades familiares. A agregação de valor por meio de queijos e derivados é estratégica: garante renda, fortalece marcas regionais e abre espaço para exportações.

O setor lácteo gaúcho movimenta bilhões de reais por ano e é considerado um dos pilares da agroindústria estadual. A tecnologia aplicada ao processamento — da pasteurização ao controle microbiológico — é vista como diferencial competitivo frente a mercados internacionais.

Integração institucional

A Vitrine do Queijo reuniu UFRGS, Farsul e a Associação de Criadores de Búfalos (Ascribu). Essa integração reforça o elo entre pesquisa acadêmica, produção rural e consumo consciente, aproximando ciência e tradição.

Quantos tipos de queijos existem?

No Brasil, estima-se que existam mais de 30 variedades tradicionais reconhecidas oficialmente, entre elas o queijo colonial, o minas frescal, o serrano e o coalho. Em escala mundial, a diversidade é ainda maior: mais de 1.800 tipos catalogados, variando conforme a origem do leite, o processo de maturação e as técnicas de produção. Essa pluralidade reflete não apenas a riqueza cultural, mas também o potencial econômico da cadeia láctea, que se fortalece ao agregar valor e conquistar mercados diferenciados. (por Gisele Flores -@giseleflorespampa)

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