Terça-feira, 14 de Abril de 2026

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Sanduicheria de origem argentina é homenageada na Assembleia Legislativa e se consolida como patrimônio afetivo da gastronomia de Porto Alegre

Há negócios que vendem comida. Outros vendem experiência. A Flor de Primavera, em Porto Alegre, pertence a uma terceira categoria: a dos lugares que atravessam o tempo e se transformam em memória coletiva.

Ao completar 50 anos, a sanduicheria — referência na tradição argentina de sanduíches de pão de miga e tortas frias — foi homenageada na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, em proposição do deputado Frederico Antunes, consolidando sua relevância gastronômica e cultural na Capital.

A história começa em 1973, quando Teresa e Julio Eduardo Yustas chegam ao Brasil vindos da Argentina. Julio trabalhava na zona portuária quando o porto entrou em paralisação. Diante da incerteza, surgiu a decisão: retornar ao país de origem ou seguir para Santos. No intervalo dessa escolha, a família permaneceu em Porto Alegre — e foi ali que nasceu o embrião da Flor de Primavera.

Teresa iniciou a produção artesanal de tortas frias e sanduíches, vendendo de forma simples em um pequeno ponto na Rua Doutor Timóteo. O espaço era modesto, mas carregava uma identidade clara: frescor, preparo manual e inspiração argentina.

O sucesso foi orgânico, impulsionado pelo boca a boca. A casa cresceu sem publicidade estruturada e se expandiu para o Centro e Praia de Belas, mas foi a loja original que se tornou referência afetiva da marca.

Em 2015, um marco redefine a trajetória: o imóvel foi adquirido por uma incorporadora, exigindo a mudança da operação. A família escolheu o bairro Boa Vista, onde já existiam vínculos afetivos. Desde novembro daquele ano, a Flor de Primavera funciona na Rua Erasto Roxo de Araújo Corrêa, 12, esquina com a Avenida Marechal Andréa.

Hoje, a operação se divide entre a loja principal e uma unidade de produção de doces, responsável pelo abastecimento do salão e de cerca de 15 cafeterias parceiras em Porto Alegre. A estrutura mantém crescimento discreto, com foco em consistência e qualidade.

O cardápio preserva cerca de 14 tipos de sanduíches, além de tortas, empanadas, quiches e doces. O clássico sanduíche primavera — presunto, queijo, alface e ovos — segue como símbolo da casa.

Entre as variações, destacam-se versões com abacaxi, azeitona, berinjela e lombo com pepino. A tradicional Torta Martha Rocha permanece como um dos itens de maior valor afetivo.

Com a mudança de endereço, a casa incorporou o buffet livre, servido de segunda a sábado, das 11h45 às 14h, ampliando o público e reposicionando a operação sem perder sua identidade.

A Flor de Primavera é hoje uma empresa familiar de terceira geração. A gestão envolve pais, filhos e tios, com divisão entre loja e fábrica. A produção de doces abastece cafeterias da cidade e reforça a presença silenciosa da marca no cotidiano urbano.

A família mantém controle rigoroso de qualidade e decidiu encerrar revendas externas para preservar segurança alimentar e padronização dos produtos, especialmente os que utilizam maionese e ingredientes frescos.

O reconhecimento dos 50 anos ocorreu na Assembleia Legislativa do Estado. Em seu discurso, o deputado Frederico Antunes destacou que o Parlamento reconhece instituições que representam o Rio Grande ao longo do tempo. Definiu a Flor de Primavera como exemplo de continuidade e excelência, afirmando que “ninguém sobrevive cinco décadas sem qualidade”.
O parlamentar também lembrou vínculos pessoais com a casa, reforçando o caráter afetivo da marca na memória dos gaúchos.

A deputada Nadine Anflor, representando a presidência da Assembleia, destacou que a Flor de Primavera “não é apenas alimentação, mas memória afetiva”, ressaltando seu papel em encontros familiares e na construção de laços entre gerações.

Em um cenário gastronômico marcado pela velocidade e pela substituição constante, a Flor de Primavera representa permanência. Um negócio que atravessou imigração, mudanças de endereço, crises econômicas e reinvenções — sem perder sua essência.

Mais do que uma sanduicheria, tornou-se um ponto de memória da cidade. Porque ali, cada sanduíche não é apenas alimento. É história. E algumas histórias, quando chegam aos 50 anos, deixam de ser negócio. Tornam-se cidade. (por Gisele Flores – gisele@pamap.com.br)

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