Domingo, 01 de Novembro de 2026

Home Política Governadores aliados se afastam de Flávio Bolsonaro após derrota

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Com a necessidade de a direita se reorganizar após a derrota na disputa presidencial e da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) para os Estados Unidos, governadores eleitos que apoiaram o senador buscaram se afastar dos movimentos golpistas do aliado. Dos 15 nomes que estiveram ao lado do candidato do PL no segundo turno, 13 se manifestaram para reconhecer expressamente a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ao mesmo tempo, nenhum deles endossou a carta na qual o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro contesta, sem provas, o resultado das urnas.

A postura adotada combina a disputa pelo protagonismo no campo da direita, a formação de alianças regionais e a necessidade de manter pontes com o Palácio do Planalto. Reeleito em São Paulo, por exemplo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) tornou públicas suas divergências com a reação do senador à derrota e defendeu “olhar para frente”. Ex-ministro de Bolsonaro, o governador é um dos cotados para disputar a Presidência daqui a quatro anos.

“A eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente”, afirmou Tarcísio, em nota, após a divulgação da carta de Flávio.

Em Minas Gerais, Flávio havia prometido a Cleitinho Azevedo (Republicanos) rever as condições da dívida do estado com a União, que já supera R$ 180 bilhões, e converter parte dos pagamentos em investimentos estaduais. Agora, com a derrota do aliado, o governador eleito terá de negociar com Lula, em meio a uma situação fiscal delicada, com déficit de R$ 10,5 bilhões previsto no orçamento de 2027. Procurado, o mineiro não quis se manifestar, mas tem pregado nas redes sociais a superação de divergências políticas em nome da pacificação do país.

Interesses dos estados

De olho em investimentos federais no estado, o governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL), também marcou diferenças em relação à postura de Flávio, que o ajudou a superar o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) no primeiro turno.

“O Brasil perdeu a chance de mudar seu futuro, mas foi esta a vontade da maioria dos eleitores e eu respeito”, disse Ruas. “Pretendo manter com o governo federal um relacionamento institucional produtivo. Um relacionamento que traga para o Rio os investimentos necessários para obras e políticas sociais que o povo fluminense deseja.”

A postura da maioria dos governadores de reconhecer a vitória de Lula também envolve pragmatismo, pois calculam que precisarão de boa interlocução com o governo para tocar seus projetos regionais. No Sul, por exemplo, os eleitos já discutem uma agenda conjunta que inclui a recuperação da Malha Sul, ferrovia estratégica para o escoamento da produção agrícola, a renegociação das dívidas estaduais e a criação de um fundo constitucional para a região e para o Sudeste. Entre as demandas também estão a ampliação do crédito ao agronegócio e investimentos em infraestrutura.

“Buscaremos uma relação institucional de diálogo com o governo federal, esperando a mesma disposição e reciprocidade diante dos desafios do nosso estado, especialmente em relação à grave situação fiscal que atravessamos”, afirmou Luciano Zucco (PL), governador eleito do Rio Grande do Sul.

Sergio Moro, eleito no Paraná, adotou posição semelhante. Embora tenha defendido o esclarecimento de questionamentos apresentados pela oposição sobre o processo eleitoral, o ex-juiz da Lava Jato, responsável por condenar Lula, reconheceu o resultado e indicou que manterá sua atuação política independentemente de quem ocupe a Presidência.

“A eleição passou, meu foco agora é fazer um bom governo no Paraná. Em nível nacional, importante lembrar que a oposição cresceu, com vitórias importantes para governos estaduais e ampliando as bancadas na Câmara e no Senado. Continuaremos na oposição”, disse, em nota enviada à reportagem.

No Distrito Federal, a governadora Celina Leão (PP), reeleita com apoio de Flávio, conta com o governo federal para tentar salvar o Banco de Brasília (BRB), após prejuízos causados pela operação frustrada de compra do Banco Master e suspeitas de fraude financeira envolvendo o negócio. Ainda no início do ano, a governadora solicitou aval da União para viabilizar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado à capitalização da instituição financeira, mas as tratativas enfrentaram impasses. Após a reeleição de Lula, Celina afirmou que manterá diálogo com o petista, apesar das divergências políticas entre ambos.

Em Mato Grosso do Sul, a tentativa de aproximação com o Planalto começou logo após a eleição. Eduardo Riedel (PP), que apoiou Flávio, relatou ter tentado telefonar para Lula para parabenizá-lo, mas não conseguiu contato. O governador defende a continuidade da parceria com a União para viabilizar projetos de infraestrutura, entre eles a Rota Bioceânica e intervenções em rodovias federais.

“Eu separo muito a discussão política da administrativa”, afirmou Riedel. (Com informações do jornal O Globo)

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