Domingo, 16 de Agosto de 2026

Home Política Governo Lula põe sigilo na lista de delegados da Polícia Federal em meio ao caso do Banco Master

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O Ministério da Justiça impôs sigilo à lista de policiais federais cedidos a tribunais que a pasta pediu para voltarem à corporação. O ofício, enviado em junho, foi visto entre integrantes da Polícia Federal (PF) e do Judiciário como uma tentativa de retaliação do governo Lula para atingir o delegado Thiago Marcantonio, que trabalha no gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Desde o começo do caso, a PF não detalhou quais órgãos seriam afetados pelo retorno dos servidores. O diretor da corporação, Andrei Rodrigues, disse que não havia decidido se a medida atingiria o STF.

Em resposta a uma solicitação da Coluna do Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação, a pasta negou por três vezes enviar qualquer dado sobre o ofício. A negativa mais recente foi assinada pelo próprio ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, no dia 10 de agosto. O caso agora é analisado pela Controladoria-Geral da União.

No documento, Wellington repetiu os argumentos adotados pela pasta em 27 de julho e em 3 de agosto. Alegou que o retorno dos servidores à PF, determinado há dois meses, ainda está em “fase preparatória”, o que inclui a análise de pedidos de reconsideração por parte de tribunais.

Outra tese usada é de que a corporação não divulgará informações que possam “comprometer a capacidade investigatória” do órgão ou trazer “risco à segurança da sociedade ou do Estado”.

“Os atos administrativos relacionados ao eventual retorno de servidores ao órgão de origem (Polícia Federal) ainda estão em fase preparatória de instrução e deliberação administrativa”, afirmou o parecer jurídico do Ministério da Justiça citado pelo ministro.

O documento disparado em junho ao diversos tribunais, incluindo o Superior Tribunal de Justiça e tribunais regionais federais, diz que a devolução dos policiais federais atende a uma “diretriz presidencial de fortalecimento da segurança pública”.

“Exortamos esse órgão cessionário a adotar, prontamente, as providências administrativas necessárias ao imediato retorno ao órgão de origem dos servidores abaixo elencados”, completou o ministério.

Em abril, Lula afirmou em um discurso público que havia determinado o retorno de delegados que estariam “fingindo trabalhar” para atuarem no combate ao crime organizado. “Eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado”, afirmou na ocasião.

Nos bastidores, integrantes da PF veem a medida como uma retaliação ao gabinete de André Mendonça. As investigações do INSS avançaram sobre Lulinha, e a do caso Master cumpriu uma operação contra o ex-líder do governo no Senado Jaques Wagner (PT-BA).

O gabinete de André Mendonça tem na sua equipe um delegado da PF, Thiago Marcantonio Ferreira, que o assessora desde o ano passado. A avaliação dos bastidores é que o governo precisou fazer uma medida mais ampla porque não poderia determinar apenas a retirada de Marcantonio do gabinete do ministro.

Na última semana, o ministro André Mendonça, do STF, encontrou o ministro da Justiça, em uma tentativa de atenuar a tensão entre a Corte e a PF. Wellington é o superior hierárquico da PF e pediu a reunião com Mendonça para amenizar os atritos recentes por causa da condução das investigações sobre o filho do presidente Lula Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A Coluna apurou que Wellington se colocou à disposição de Mendonça para auxiliar seu gabinete na interlocução com a PF. O magistrado fez um apelo para que o ministro garanta a independência técnica da PF, sem interferências indevidas. Wellington garantiu que isso ocorrerá. (Com informações da Coluna do Estadão/O Estado de S. Paulo)

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