Sábado, 29 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de agosto de 2026
Com receio de eventuais complicações com a Justiça Eleitoral por conta do “defeso eleitoral”, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva organiza o tradicional desfile cívico-militar de 7 de setembro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, mais discreto e sóbrio em comparação aos anos anteriores, sem um slogan específico para a celebração. Mesmo assim, a gestão pensa um ato com três eixos temáticos: soberania nacional, combate à violência contra a mulher e a Copa do Mundo Feminina, que será realizada no Brasil no ano que vem.
A organização do evento deste ano está sendo feita de forma mais cautelosa pelas vedações por conta do processo eleitoral de outubro. Nos últimos anos, o governo fez um esforço para tentar “desbolsonarizar” a data, uma bandeira de Lula desde a eleição de 2022, quando falava em “retomar os símbolos nacionais”. Agora, além da influência das eleições presidenciais, as celebrações da data também serão enxutas pelas limitações orçamentárias.
O uso político do 7 de setembro é um assunto sensível porque foi um dos fatores que levaram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a condenar e tornar inelegível o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na visão da corte, Bolsonaro utilizou os festejos da Independência para, às vésperas das eleições presidenciais de 2022, fazer apelos à militância e convocar o seu eleitorado. Após o desfile daquele ano, o então chefe do Executivo subiu em carro de som na Esplanada dos Ministérios e discursou. Nada parecido está previsto para este ano, quando Lula deve apenas assistir à cerimônia da arquibancada.
Em 2026, a sobriedade deverá prevalecer e o desfile não terá um mote, em contraponto aos três anos anteriores, quando o governo foi acusado de fazer uso político da data. No ano passado, por exemplo, o slogan foi “Brasil soberano”, na esteira do tarifaço americano anunciado em julho de 2025, e promoção da COP30, cúpula do clima sediada em Belém em novembro. Em 2024, foi “Democracia e Independência – É o Brasil no rumo certo”, quando tratou também da cúpula do G20 no Rio de Janeiro e em, 2023, “Democracia, soberania e união”. Aquele ano foi o considerado mais tenso, dado os atos golpistas naquela mesma avenida em Brasília oito meses antes.
Mesmo assim, o Executivo organiza eixos temáticos na celebração deste ano. O desenho até o momento é que, além do desfile com militares e equipamentos das Forças Armadas, exibidos por terra e ar pela Marinha, Exército e Força Aérea, ocorram três blocos com a sociedade civil. Apesar de o governo querer afastar qualquer influência eleitoral no ato, tanto a soberania quanto a defesa das mulheres são pilares da campanha de Lula à reeleição.
A discussão sobre a soberania nacional repete o desfile de 2025, e é vista pela campanha lulista como um conceito capaz de conectar temas domésticos a internacionais. O governo surfa na esteira das novas tarifas dos Estados Unidos anunciadas neste ano. Para aliados, o aumento das taxas pelo presidente americano, Donald Trump, cria um ambiente favorável para explorar o contraste entre um governo que busca defender os interesses nacionais e adversários que seriam associados à pressão externa, como a família Bolsonaro.
Outro mote de campanha é o combate à violência contra a mulher. Nos últimos meses, o Executivo vem intensificando suas ações voltadas às mulheres de olho em atrair um dos setores considerados decisivos para as eleições. A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, é vista como a principal indutora da pauta feminina dentro do governo, e foi ela quem pediu a Lula que assumisse uma postura mais incisiva ao tratar do assunto. Com informações do Valor Econômico.