Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 15 de abril de 2026

O lançamento do Instituto Banrisul Cultural, nesta quarta-feira (15), em Porto Alegre, não se limita à criação de uma nova estrutura de fomento. Traduz uma decisão de governo — e uma escolha inequívoca de prioridade — ao reposicionar a cultura no núcleo da estratégia de reconstrução e desenvolvimento do Rio Grande do Sul.
Com aporte inicial de R$ 27 milhões e a meta de alcançar mais de 1 milhão de pessoas já no primeiro ano, a iniciativa se distingue pelo desenho. Não se trata apenas de financiar projetos, mas de estruturar, executar e articular políticas em escala. É uma mudança de método — e, sobretudo, de ambição.
Os dados recentes ajudam a dimensionar esse movimento. Em 2025, o número de projetos contemplados pela Lei de Incentivo à Cultura cresceu 67%. Nos últimos anos, os investimentos públicos no setor ultrapassam R$ 700 milhões. Mais do que expansão orçamentária, os números indicam reposicionamento institucional.
“A cultura tem um papel decisivo na vida das pessoas. Ela promove inclusão, gera oportunidades e também movimenta a economia”, afirmou o governador Eduardo Leite. Ao vincular cultura a desenvolvimento social e prevenção, a fala desloca o setor de um campo simbólico para uma função operacional dentro da política pública.
Na prática, isso significa tratar a cultura como parte da engrenagem do desenvolvimento. Um vetor capaz de ativar cadeias econômicas, ampliar oportunidades e reforçar vínculos comunitários — especialmente em regiões onde o acesso ainda é limitado.
Ao estruturar o instituto, o Banrisul também redefine seu papel. De financiador, passa a agente de execução. “Passamos também a desenvolver nossos próprios projetos”, afirmou o presidente Fernando Lemos. A mudança amplia a capacidade de intervenção e desloca o centro da política para a entrega.
A estratégia se apoia na utilização de estruturas já existentes — escolas, bibliotecas, teatros — como base de expansão. A lógica é simples e, ao mesmo tempo, exigente: fazer a cultura deixar de ser evento e se tornar presença.
Entre as frentes previstas estão formação artística, circulação cultural e ações voltadas a públicos específicos, como jovens, idosos e comunidades em situação de vulnerabilidade. “Queremos levar a cultura para além dos circuitos tradicionais”, afirmou a diretora Beatriz Araujo. A diretriz aponta para a ampliação de acesso como eixo estruturante.
A iniciativa se articula com outros investimentos recentes, como a destinação de R$ 30,93 milhões a projetos em 347 municípios. O conjunto revela uma política que busca escala territorial e integração — conectando cultura a educação, desenvolvimento social e atividade econômica.
O histórico do setor no Estado combina avanços relevantes e limitações persistentes, especialmente na distribuição de recursos e na continuidade das ações. Nesse cenário, o Instituto Banrisul Cultural se insere como parte de um processo mais amplo de reorganização da política cultural, com foco em presença, estrutura e alcance.
Mais do que ampliar investimentos, o que está em curso é a tentativa de consolidar um modelo contínuo — capaz de reduzir a fragmentação e dar estabilidade a uma área tradicionalmente marcada por descontinuidade.
Ao colocar a cultura no centro da reconstrução, o Estado não apenas redefine prioridades. Redefine o que entende por desenvolvimento — e o lugar que a cultura passa a ocupar dentro dele. (por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)