Sexta-feira, 23 de Outubro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 23 de outubro de 2026
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) precisaria convencer cerca de 1,2 milhão de eleitores de Flávio Bolsonaro (PL) para reverter a vantagem do adversário e vencer o segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo (25). A estimativa foi elaborada pela empresa de tecnologia e plataforma de dados políticos Sólon e pelo cientista político Jairo Nicolau, com base em pesquisas da Quaest e em estatísticas de eleições anteriores.
A apuração do primeiro turno terminou com uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos entre os candidatos. Considerando a transferência de votos dos eleitores dos demais concorrentes, as projeções da Quaest indicam que a vantagem de Flávio poderia chegar a cerca de 3,3 milhões de votos.
O cálculo elaborado por Nicolau considera ainda os votos brancos e nulos e a possibilidade de retorno de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno. Com essas variáveis, a distância estimada entre os dois candidatos cairia para aproximadamente 2,4 milhões de votos.
A partir desse cenário, a disputa dependeria também da capacidade de Lula de atrair eleitores que hoje declaram intenção de votar em Flávio. Segundo a Quaest, 8% dos eleitores do candidato do PL ainda não têm certeza sobre o voto. Esse percentual corresponde a cerca de 5 milhões de pessoas.
Como a mudança de um voto de um candidato para o outro altera a diferença entre eles em dois votos, a reversão do resultado exigiria que Lula conquistasse aproximadamente 1,2 milhão de eleitores do adversário. O número representa pouco mais de 2% do eleitorado de Flávio, ou cerca de uma em cada quatro pessoas que demonstram alguma incerteza sobre a escolha.
A estimativa mostra como pequenas mudanças na distribuição dos votos podem influenciar o resultado em uma disputa apertada. A transferência de eleitores entre os candidatos, a participação de quem se ausentou no primeiro turno e o comportamento de quem optou por votos brancos ou nulos são fatores que podem alterar a distância entre os dois concorrentes.
A Sólon ressalta, porém, que os números representam uma simulação, e não uma previsão definitiva do resultado. O cálculo depende de premissas sobre comparecimento e votos brancos e nulos, enquanto a estimativa de transferência de votos se baseia em pesquisas de intenção de voto, sujeitas à margem de erro.
(Com Ancelmo Gois/O Globo)