Quarta-feira, 29 de Maio de 2024

Home em foco Maior movimento grevista em 30 anos marca troca de comando no Reino Unido

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Está aberta a temporada de greves no Reino Unido. E ela coincide com o trepidante processo de escolha do futuro premier britânico, que será conhecido em 5 de setembro. Na próxima quarta-feira (27), os funcionários das companhias de trens voltam a cruzar os braços, dando prosseguimento ao maior movimento de paralisação dos últimos 30 anos e criando novo caos no sistema de transportes do país. Em agosto, será a vez dos mais de 150 mil empregados do Royal Mail e da British Telecom, a ex-estatal telefônica privatizada em 1984.

Outras categorias pressionam por reajustes. Os sindicatos de servidores públicos acabam de recusar proposta do governo de reposição de 5% e já ameaçam novas greves, de professores a médicos e enfermeiros. Afinal, a inflação anualizada no país se mantém acima de 9% há três meses, o nível mais alto dos últimos 40 anos, enquanto as remunerações pouco mudaram em anos recentes.

Esse certamente será o maior desafio que o novo chefe de Governo e seu Partido Conservador terão pela frente. Greves não eram tão comuns no Reino Unido em tempos recentes. Os britânicos viam aqui e ali algumas paralisações, mas nada que se compare ao atual movimento dos ferroviários, o maior desde a era Margaret Thatcher. Conhecida como “Dama de Ferro”, a primeira-ministra conservadora conseguiu esvaziar, nos anos 1980, os sindicatos britânicos. A atual demanda por maiores salários é apenas fator adicional de pressão sobre um quadro inflacionário que não deve dar trégua no curto prazo.

Não por acaso, a crise econômica, a perspectiva de estagflação e a alta do custo de vida pautam a campanha dos dois que, dentre uma dúzia de candidatos, sobreviveram a sucessivas rodadas eliminatórias.

De um lado está Rishi Sunak, ex-ministro do Tesouro de Boris Johnson, que conduziu a economia britânica durante a pandemia, defensor de certo rigor fiscal após os bilhões de libras esterlinas que precisou injetar na economia para evitar o pior durante o período de confinamentos e medidas sanitárias.

Do outro, a secretária de Relações Exteriores, Liz Truss, que se notabilizou mais recentemente pela retórica irredutível de pressão contra Moscou após a invasão na Ucrânia. A despeito das pressões inflacionárias e necessidade de contenção de despesas, ela defende o corte imediato de impostos e acusa a política econômica dos últimos 20 anos de não promover o crescimento. (Há 12 anos, contudo, é o próprio Partido Conservador que está no poder no Reino Unido.)

O vencedor provavelmente será a aposta da legenda contra a oposição trabalhista, em trajetória ascendente, nas eleições de 2024. Desgastado pelos escândalos associados à gestão de Boris, os conservadores procuram um líder que já sabem de antemão não ter o mesmo carisma do atual premier, conhecido pelo humor e pelas bravatas — e acusado de populista por especialistas que acompanham a política britânica. A disputa pela sucessão, porém, não parece uma guinada no discurso do partido, que observadores consideram altamente demagógico.

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