Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026

Home Política Ministros do Supremo veem alívio com adiamento de pronunciamento de Alexandre de Moraes e avaliam que operação sobre “Dark Horse” pesou em decisão

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Uma ala do STF (Supremo Tribunal Federal) viu com alívio a decisão do ministro Alexandre de Moraes de adiar o pronunciamento que faria nesta quinta-feira (10). A avaliação entre esses magistrados é que a manifestação neste momento poderia ampliar a crise interna na Corte.

A expectativa entre esses integrantes era que Moraes fizesse uma defesa pública em relação às suspeitas sobre seu envolvimento com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, suspeito de comandar um esquema de fraudes financeiras.

A manifestação do ministro, que havia sido marcada para 11h desta quinta-feira, foi cancelada menos de uma hora depois de anunciada e, segundo o tribunal, será remarcada para uma “data oportuna”.

O entendimento na Corte também é de que uma fala de Moraes poderia gerar ruídos diante da operação da Polícia Federal que apura suspeitas de desvios de emendas parlamentares para empresas ligadas a produtora do filme Dark Horse, que narra a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. Neste sentido, a avaliação é que a manifestação do ministro poderia chamar mais atenção que a investigação.

O pronunciamento de Moraes ocorreria um dia após o presidente da Corte, Edson Fachin, tomar uma série de decisões para tentar reorganizar a condução dos procedimentos que estão no centro da crise envolvendo o STF. Entre as medidas estão a convocação de sessão para julgar relatório da PF que trata das mensagens de Vorcaro e a retirada de Moraes do inquérito das fake news.

A expectativa em torno da fala havia aumentado justamente pelo momento em que ela foi anunciada. Seria a primeira manifestação pública de Moraes após Fachin revogar, na quarta-feira, sua designação para comandar o inquérito das fake news, investigação aberta em 2019 e conduzida pelo ministro por mais de sete anos. Fachin preservou os atos praticados até então e passou a concentrar na Presidência do tribunal a condução do procedimento.

Segundo interlocutores, Moraes pretendia abordar no pronunciamento justamente sua atuação à frente do inquérito das fake news e fazer uma defesa das medidas adotadas ao longo dos mais de sete anos em que comandou a investigação.

Havia ainda a possibilidade de o ministro mencionar episódios de ameaças sofridas por integrantes do Supremo durante esse período, como parte de uma defesa da necessidade das medidas adotadas pela Corte.

A decisão de Fachin fez parte de um conjunto de medidas tomadas em meio à crise que envolve Moraes e André Mendonça e os desdobramentos do caso Master. Nos últimos dias, o presidente do STF passou a assumir papel mais direto na administração do impasse e na definição do destino de investigações que atingem integrantes da própria Corte.

O pronunciamento também ocorreria após Moraes ter se tornado alvo direto dos questionamentos provocados pela divulgação de mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A crise levou a uma sequência de decisões e reações dentro do Supremo e colocou Fachin sob pressão para encontrar uma saída institucional para o impasse.

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