Quinta-feira, 03 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 3 de setembro de 2026
A longevidade é uma marca da sociedade e chegou tanto às cidades quanto ao campo. Junto com a experiência de quem há muitos anos mantém a produção rural como motor da economia brasileira, surge também a necessidade de preparar quem dará sequência a esse legado. Nesse contexto, o papel das mulheres que escolheram permanecer no campo para dar continuidade ao trabalho tem se mostrado cada vez mais fundamental nos processos de sucessão no ambiente rural. Esse foi um dos principais assuntos que permearam os debates da 12ª edição do Fórum Mulher Empreendedora Gaúcha (FMEG), realizado nesta quinta-feira, 3, no Centro de Eventos Expomentes, na Expointer.
Para a presidente do FMEG, Tânia Cruz, trazer o assunto à tona sob a perspectiva do protagonismo feminino é um momento ímpar dentro da Feira, que é o maior evento do agronegócio realizado a céu aberto na América Latina. “Conseguimos demonstrar pela qualidade dos debates e das debatedoras o quanto as mulheres empreendedoras do meio rural têm assumido a liderança dos negócios e a responsabilidade de dar sequência ao segmento, que é um dos grandes motores da economia brasileira e responde por boa parte da geração de riqueza do país”, avaliou.
Os temas abordados sob a perspectiva do protagonismo feminino
O primeiro painel foi “Mulheres que constroem o agro: empreendedorismo, sucessão e liderança”. Na oportunidade, mulheres com diferentes trajetórias, produtoras rurais e líderes do setor em suas regiões, tanto no Rio Grande do Sul quanto em outros Estados, abordaram suas experiências, compartilharam os desafios enfrentados e contaram o que estão fazendo para construir o caminho do agronegócio do futuro. Mara Lauxen, Jaqueline Bullé de Ávila, Tânia Maria Vendruscolo, Sandra Stoquero e Renata Camargo foram as painelistas, sob mediação de Farlen Pacheco.
Em seguida, Mara Lauxen permaneceu no palco para abordar o tema “Antes da sucessão: o preparo que garante a continuidade dos negócios”. Ela abriu a conversa chamando atenção para a diferença entre herdar e estar preparado para assumir a liderança dos negócios da família. Também contou como foi o processo pelo qual ela mesma passou para aprender a produzir e trabalhar na produção rural. “Sucessão não começa quando alguém assume. É necessário estar preparado e preparar as próximas gerações desde muito cedo”, alertou. “É fundamental perguntar aos filhos quem gostaria de seguir com os negócios e não deixar de lado aqueles que buscarem outros caminhos. Sucessão se constrói em vida, no dia a dia, encontrando as formas que cada um poderá contribuir e usufruir, garantindo a continuidade”, ensinou.
Já Cristiane Alves, Jaqueline Mesomo, Justine Arruda e Beatriz Hennerich têm profissões diversas e capacitações em diferentes áreas do conhecimento, desde contabilidade até agronomia e inteligência artificial aplicada ao agro. Com a mediação de Zilda Elisa, elas uniram seus olhares em torno das afinidades e abordaram os desafios do setor. Também elencaram a forma como cada uma tem contribuído para assumir o protagonismo dos negócios e ajudar a desenvolver cada vez mais o agro, não só no Brasil, mas também no Paraguai, país de Jaqueline Mesomo, e em toda a América Latina, durante o painel “Mulheres e o agronegócio: cenário atual”.
Patrícia Freyer trouxe seu olhar sobre os espaços femininos ao abordar o tema “A mulher do agro precisa ocupar mais um lugar: o das decisões patrimoniais”. Segundo ela, há muita gente preocupada com o planejamento da sucessão, por ser um trabalho árduo e que precisa entrar na cultura das famílias brasileiras. Patrícia trouxe a experiência da própria família, quando sua mãe ficou viúva e, para além da dor da perda, ainda precisou lidar com a instabilidade financeira. “Antecipar a sucessão dá segurança e reduz custos”, afirmou. Ela explicou que cada família tem uma realidade e que é a partir de contextos próprios que se precisa organizar o planejamento sucessório. “Não é sobre patrimônio. É sobre proteção às pessoas que mais amamos”, finalizou.
O painel “Gerações que movem o agro” reuniu mulheres de diferentes idades, que atuam no agronegócio ou estão se preparando para dar continuidade aos negócios da família no campo. É o caso de Natalia Baldan, quarta geração de sua família e sucessora em desenvolvimento da propriedade dos Baldan. Ela, Renata Camargo, Maria Iraclézia, Rafaella Moisés e Cíntia Rousselet Longhi discutiram as diferentes formas de atuar no campo e os desafios da liderança. Também trataram de questões envolvendo o preparo para a sucessão familiar, as conexões e os novos caminhos que estão sendo e ainda precisam ser traçados para o agronegócio.
O Fórum Mulher Empreendedora Gaúcha – 12ª Edição – Especial Expointer foi realizado em parceria com o Conexão Entre Elas – Agro e Campo. A próxima edição, que será a 13ª, acontecerá em Porto Alegre, no Lab Fecomércio, no dia 26 de setembro, em parceria com o Elas no Comando POA. Já a 14ª Edição Oficial FMEG Gramado está programada para acontecer no A Villa, na Serra Gaúcha, nos dias 27 e 28, em parceria com a Run Mulher. Mais informações sobre o FMEG podem ser acompanhadas diretamente no perfil da entidade: https://www.instagram.com/fmeg.oficial/.