Terça-feira, 12 de Maio de 2026

Home Política O PT prepara uma estratégia para questionar no Tribunal Superior Eleitoral conteúdos que considere desinformação contra o presidente Lula e o partido durante a campanha eleitoral

Compartilhe esta notícia:

O Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma estratégia para questionar no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) conteúdos que considere desinformação contra o presidente Lula e o partido durante a campanha eleitoral, mas há pelo menos dois tipos de obstáculo nesse caminho. Um deles é o desenvolvimento da inteligência artificial e de novas técnicas de viralização. O outro é a mudança de composição do TSE. Na eleição de 2022, o partido apresentou mais de 300 representações sobre desinformação eleitoral.

Quem presidia o TSE na ocasião era Alexandre de Moraes, ministro ligado ao tema como relator do inquérito das fake news e que fortaleceu o programa de combate à desinformação, inclusive por meio de parcerias com organizações de análise de redes e universidades. Agora, o comando do tribunal caberá a um ministro indicado por Jair Bolsonaro (PL): Kassio Nunes Marques, cuja atuação na área deve ser menos intervencionista e mais restrita.

Outro ponto de atenção petista é o surgimento de novas estratégias de viralização nas redes. A principal é a adotada em 2024 pelo ex-candidato a prefeito de São Paulo Pablo Marçal, que utilizou competições de cortes de vídeo para difundir conteúdo e distribuiu prêmios em dinheiro às pessoas que conseguissem ter mais visualizações. Em abril de 2025, ele foi condenado pelo TSE e se tornou inelegível por oito anos devido ao uso indevido dos meios de comunicação na campanha de 2024, mas a estratégia de pagar pessoas —que passaram a ser chamadas de clipadores— para fazer cortes e difundir conteúdos se profissionalizou, sendo utilizada por empresas para divulgar produtos.

O método permite o impulsionamento de conteúdo sem passar pelos mecanismos oficiais das plataformas, como os anúncios políticos, que ficam registrados em bibliotecas, o que torna a fiscalização mais difícil. O governo Lula sugeriu neste ano que o TSE incluísse uma cláusula para proibir explicitamente os cortes. Atualmente, a resolução eleitoral veda “a utilização de mecanismos de competição, ranqueamento ou premiação” que ofereçam vantagem econômica por publicações. A expectativa de responsáveis pela elaboração da estratégia petista é que temas já explorados pela campanha de Bolsonaro durante as últimas eleições presidenciais se repitam.

Entre eles estão assuntos morais, como a defesa do aborto e da criação de banheiros unissex, além de acusações sem provas de relação entre o partido e o crime organizado. Nas últimas eleições, esse foi um dos temas mais frequentes das campanhas bolsonaristas.

Quando Lula usou um boné com a sigla CPX, que significa complexo, por exemplo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rival do petista no pleito deste ano, compartilhou fotos de fuzis com a sigla gravada. Apoiadores de Jair Bolsonaro, como o deputado Mario Frias (PL-SP), afirmaram à época que a sigla significava “cupinxa, parceiro de crime”, o que é falso.

Uma representação produzida pela equipe jurídica do PT neste ano, apresentada à Justiça Eleitoral em 16 de março, identificou a discussão sobre a classificação de facções criminosas como terroristas como um novo tema de potencial repercussão na campanha eleitoral.

Uma das publicações denunciadas em março, compartilhada pelos perfis do PL, de Flávio e de Carlos Bolsonaro (PL-SC), retrata Lula com rosto diabólico e fundo vermelho. O conteúdo também diz que Lula não quer que as facções sejam tratadas como terroristas. A ação do PT foi assinada pelo escritório Ferraro, Rocha e Novaes.

De acordo com os advogados, as peças “propagam fatos inverídicos e descontextualizam uma complexa questão de diplomacia/soberania nacional para realizar propaganda eleitoral antecipada negativa”. Em 2022, o TSE deu decisões favoráveis aos advogados petistas em um tema parecido e ordenou a exclusão de publicações que ligavam o partido ao crime e à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Dessa forma, a avaliação de envolvidos é de que parte dessa jurisprudência servirá para fortalecer as ações judiciais. (Com informações do jornal Folha de S.Paulo)

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Política

O PT prepara uma estratégia para questionar no Tribunal Superior Eleitoral conteúdos que considere desinformação contra o presidente Lula e o partido durante a campanha eleitoral
Ministros do Supremo dizem apostar em uma confirmação ampla da Lei da Dosimetria mesmo após decisões do ministro Alexandre de Moraes pela suspensão da aplicação do texto em casos concretos até uma definição sobre o tema pelo plenário da corte
Deixe seu comentário
Baixe o app da RÁDIO Pampa App Store Google Play
Ocultar
Fechar
Clique no botão acima para ouvir ao vivo
Volume

No Ar: Programa Conexão Pampa