Segunda-feira, 20 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de julho de 2026
As canetas emagrecedoras deixaram de ser um assunto restrito aos consultórios e passaram a ocupar conversas nas redes sociais, entre celebridades e pessoas em busca de mudanças na relação com o corpo. O uso de medicamentos análogos de GLP-1, como semaglutida, liraglutida e tirzepatida, ganhou popularidade pelo efeito sobre a saciedade e o controle do apetite, mas especialistas chamam atenção para um aspecto que pode passar despercebido durante o tratamento: a redução da ingestão de líquidos.
Ao comer menos, algumas pessoas também diminuem a quantidade de água consumida ao longo do dia. A combinação entre menor sensação de fome, possíveis alterações na sede e efeitos gastrointestinais pode favorecer quadros de desidratação, segundo profissionais da área. O alerta não está relacionado ao medicamento em si, mas à necessidade de acompanhar as mudanças que acontecem na rotina alimentar durante o processo de emagrecimento.
“É um risco silencioso porque muitos pacientes não percebem que estão bebendo menos água. O organismo continua precisando de líquidos para funcionar adequadamente e, quando essa ingestão cai de forma importante, os rins podem ficar sobrecarregados”, explica o farmacêutico Maurizio Pupo, pesquisador, professor e diretor científico do IPUPO Pós-Graduações.
Segundo o especialista, alguns pacientes podem apresentar redução da percepção de sede, conhecida como adipsia, durante o uso desses medicamentos. Além disso, sintomas como náuseas, vômitos e diarreia, relatados por parte das pessoas em tratamento, também podem contribuir para a perda de líquidos.
Outro ponto está relacionado à alimentação. Como frutas, verduras e outros alimentos possuem água em sua composição, uma redução significativa no consumo desses itens também pode interferir na quantidade de líquidos ingeridos diariamente.
Com a atenção voltada principalmente para a balança, alguns sinais podem acabar sendo interpretados como parte natural do emagrecimento. Boca seca, tontura, fraqueza, dor de cabeça, urina mais escura e cansaço persistente, porém, podem indicar que o organismo precisa de mais atenção.
A falta de líquidos afeta diferentes funções do corpo, como circulação, controle da temperatura e equilíbrio de sais minerais. Entre os órgãos mais sensíveis a essa alteração estão os rins, que dependem de uma quantidade adequada de água para realizar o processo de filtragem. Em situações mais intensas, a desidratação pode contribuir para complicações mais graves, como alterações na função renal.
Para evitar problemas, especialistas defendem que o uso dessas medicações seja acompanhado por uma equipe de saúde, com atenção não apenas ao peso perdido, mas também à qualidade da alimentação e aos hábitos desenvolvidos durante o tratamento.
“A hidratação precisa ser observada junto com outros aspectos do processo, como acompanhamento nutricional e avaliação da função renal quando necessário”, afirma Maurizio. Segundo ele, a quantidade ideal de líquidos varia de acordo com fatores como peso, rotina, nível de atividade física e condições de saúde.
Com a popularização das canetas emagrecedoras, o debate passa a envolver não apenas os resultados visíveis na balança, mas também a forma como o corpo é cuidado durante essa transformação. O emagrecimento, segundo especialistas, precisa ser acompanhado por escolhas que preservem o funcionamento do organismo como um todo. (As informações são de O Globo)