Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 27 de agosto de 2026
O Partido Liberal (PL), legenda ligada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, lidera o ranking de autodoações realizadas por candidatos nas eleições de 2026. Dados da prestação de contas eleitoral mostram que os candidatos da sigla já destinaram aproximadamente R$ 6,88 milhões dos próprios recursos para suas campanhas, o maior volume entre os partidos que registraram movimentações até o momento.
O levantamento considera os valores declarados à Justiça Eleitoral e mostra que o PL aparece à frente do PSD, que soma cerca de R$ 5,28 milhões em recursos próprios utilizados pelos candidatos. Na sequência estão o PT, com aproximadamente R$ 4,22 milhões; o MDB, com R$ 4,15 milhões; e o PSB, com R$ 3,82 milhões.
Ao todo, mais de R$ 43 milhões já foram registrados como autodoações nas eleições deste ano. A maior parte desse dinheiro foi destinada por candidatos que disputam vagas nas Assembleias Legislativas. São mais de 1,2 mil candidatos a deputado estadual que, juntos, colocaram cerca de R$ 29,9 milhões nas próprias campanhas. O montante representa aproximadamente 59% de todas as autodoações registradas até agora.
Entre os candidatos à Câmara dos Deputados, cerca de 696 nomes já declararam recursos próprios, em um total próximo de R$ 11,3 milhões. No Senado, 60 candidatos registraram aproximadamente R$ 3,2 milhões. Também aparecem na relação candidatos aos governos estaduais, à Presidência da República e ao Legislativo do Distrito Federal.
A liderança do PL ocorre mesmo com a legenda não sendo a que possui o maior número de candidatos registrados. O partido aparece com 267 candidatos e, ainda assim, apresenta o maior volume absoluto de recursos próprios destinados às campanhas. O número também reflete a presença de candidatos com patrimônio e capacidade financeira diferentes dentro da sigla.
O ranking individual é encabeçado por Gelson Merísio, candidato do PSB ao governo de Santa Catarina e aliado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ele transferiu R$ 1 milhão para a própria campanha e passou a liderar as autodoações individuais registradas até agora. O valor chama atenção porque supera o patrimônio de aproximadamente R$ 652,9 mil declarado pelo candidato à Justiça Eleitoral.
Antes de Merísio, o maior valor registrado havia sido uma contribuição de R$ 533 mil feita pelo advogado Edvaldo Brito, primeiro suplente na chapa ao Senado liderada por Jaques Wagner, do PT da Bahia. Também aparecem entre os maiores autodoadores Joaquim Passarinho, candidato a deputado federal pelo PL do Pará, com R$ 500 mil, além de candidatos que transferiram valores superiores a R$ 300 mil para suas próprias campanhas.
As autodoações são permitidas pela legislação eleitoral, mas estão submetidas a regras específicas. Assim como ocorre com as doações de pessoas físicas, os recursos próprios utilizados pelos candidatos precisam respeitar os limites estabelecidos pela legislação e devem ser declarados à Justiça Eleitoral.
A utilização de dinheiro próprio é uma das formas de financiamento das campanhas. Os candidatos também podem receber recursos do fundo eleitoral, doações de pessoas físicas e outras receitas permitidas pela legislação. Todos os valores precisam ser registrados no sistema de prestação de contas e ficam sujeitos à fiscalização da Justiça Eleitoral.
O ranking ainda pode sofrer alterações durante a campanha, já que novos candidatos devem apresentar informações sobre receitas e despesas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As declarações também podem ser atualizadas ou retificadas conforme o calendário eleitoral avança.
(Com informações do jornal O Estado de S.Paulo)