Terça-feira, 24 de Maio de 2022

Home Economia PIB cresce 4,6% em 2021 e supera perdas da pandemia, após queda histórica em 2020

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A economia brasileira registrou um avanço de 4,6% em 2021 no Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos pelo País ao longo de um ano) e superou as perdas da pandemia, informou o IBGE nesta sexta-feira (4).

O resultado representa uma melhora da atividade econômica brasileira, que recuou 3,9% em 2020, quando amargou a pior recessão em 30 anos.

O desempenho do PIB no ano passado veio em linha com as expectativas de mercado, que projetava alta de 4,5% segundo o Banco Central.

No quarto trimestre, a economia avançou 0,5%, após dois trimestres seguidos de queda. Assim, o País saiu da recessão técnica.

No ano, o crescimento da economia foi puxado pelas altas nos serviços (4,7%) e na indústria (4,5%), que juntos representam 90% do PIB do país. Por outro lado, a agropecuária recuou 0,2% no ano passado.

Principais vilões da inflação

Os combustíveis foram os principais vilões da inflação em 2021. O etanol disparou 62,23% no ano passado. Já a gasolina, 47,49%. O gás de botijão subiu 36,99%. São preços que influenciam outros preços na economia.

Com a alta nos preços dos combustíveis, o grupo dos transportes teve alta forte em 2021, pesando no bolso dos mais pobres. A alta acumulada foi de 21,03%. Já entre os gêneros alimentícios, o café foi um dos que mais encareceram em 2021. Os alimentos formam um dos grupos de maior alta de preços na composição do IPCA: subiram 14% no ano passado. As bebidas ficaram, em média, 7,94% mais caras. Até mesmo o churrasco, uma das principais escolhas de lazer do brasileiro nas horas vagas, ficou salgado em 2021. As carnes subiram 8,45% em média no ano passado.

Outro item essencial no orçamento do brasileiro, a energia elétrica disparou em 2021 sob efeito da crise hídrica, que limitou a operação de hidréletricas. No ano, tarifa de eletricidade residencial subiu 21,21% .

A inflação também fez disparar o IGP-M, índice que reajusta contratos de aluguel, que tiveram alta média de 6,96% segundo o IBGE. Além disso, preços de material de construção encareceram imóveis novos e reformas. Resultado: o grupo habitação acumulou alta de 13,05% em 2021.

Construção sobe quase 10%

Após meses de fechamento do comércio e atividades com hotéis e restaurantes em 2020, a economia reabriu no ano passado. Com isso, o setor de serviços, que foi o mais afetado pela Covid, conseguiu se recuperar.

Todos os segmentos cresceram, com destaque para trasnsportes, armazenagem e correios (+ 11,4%). Reflexo da volta das viagens e da mobilidade nos centros urbanos. O comércio avançou 5,5%.

Na indústria, o destaque positivo foi o desempenho da construção que, após cair 6,3% em 2020, subiu 9,7% em 2021. As indústrias de transformação, com maior peso no setor, também cresceram (+ 4,5%), influenciadas pelo aumento na fabricação de máquinas e equipamentos e automóveis.

A indústria extrativa avançou 3,% com alta na extração de minério de ferro.

A única atividade que não cresceu foi eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, que ficou estável, devido à crise hídrica.

Já a agropecuária, que havia sido a estrela em 2020, recuou 0,2% em 2021, principalmente por fatores climáticos, como estiagem prolongada e geadas. Apesar de salto na produção de soja, as safras de café e milho foram fortemente afetadas pela falta de chuuvas.

Consumo sobe, mas inflação e juros são riscos

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias avançou 3,6% e o do governo subiu 2,0%. No ano anterior, esses componentes haviam recuado 5,4% e 4,5%, respectivamente.

“Houve uma recuperação da ocupação em 2021, mas a inflação alta afetou muito a capacidade de consumo das famílias. Os juros começaram a subir. Tivemos também os programas assistenciais do governo. Ou seja, fatores positivos e negativos impactaram o resultado do consumo das famílias no ano passado”, afirma Receba Palis, gerente de contas nacionais do IBGE.

Os investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo) avançaram 17,2%, favorecidos pela construção e pela produção interna de bens de capital. A taxa de investimento subiu de 16,6% para 19,2% em um ano.

As importações cresceram 12,4% e as exportações avançaram 5,8%. Como a economia cresceu, importou mais que as vendas externas. Esse déficit na balança de bens e serviços acabou freando uum crescimento ainda maior do PIB.

Expectativas para 2022

Para este ano, os especialistas avaliam que a atividade econômica perderá fôlego. Isso porque a inflação elevada e o aumento da taxa básica de juros, a Selic, pesam contra o consumo das famílias, um dos principais motores do PIB pela ótica da demanda.

A invasão da Ucrânia pela Rússia também afeta a economia brasileira, e deve ter consequências diretas e indiretas para diferentes setores, em especial os ligados ao agronegócio.

Há bancos e consultorias que estimam recessão (em torno de -0,5%) para 2022 diante da desafiadora conjuntura macroeconômica. Por outro lado, há economistas que projetam ligeiro avanço, em torno de 0,2%, do PIB este ano.

O Boletim Focus, que reúne as expectativas de mercado, projeta uma alta de 0,3%. A previsão é menor que a estimada pelo Banco Central, de 1%.

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