“A poligamia no Islã é como o divórcio. É uma solução para um problema, previsto em lei e com regras claras. Para eles, é impensável imaginar uma mulher na casa de um homem sem o matrimônio. Eles entendem que a poligamia é uma prática permitida por Deus como uma forma de facilitar a vida dos muçulmanos”, explica.
O islamismo permite que o homem se case com até quatro mulheres, mas estabelece condições para esses casamentos. Uma delas, e a mais rígida, é a de que o homem deve ter condições de tratar todas as esposas com igualdade.
Francirosy explica que, no islamismo, o casamento é um incentivo para a riqueza. Não necessariamente os ricos terão mais esposas, mas é necessário ter condição financeira para mantê-las, pois o homem que não honra suas despesas é considerado pecador. Por essa razão, o casamento com mais de duas esposas pode ser visto como símbolo de riqueza e status nos países em que a prática é socialmente aceita. A família do emir é a terceira mais rica do mundo, superando até a família real britânica.
No Catar, apenas os homens têm direito de ter mais de uma cônjuge. Sob a sharia, o país tem regras e leis restritivas em relação às mulheres. Lá, as cataris só podem se casar com autorização de um homem da família.
“Do ponto de vista ocidental, é estranho aceitar se casar com um homem que tem outras esposas, mas para muitas mulheres muçulmanas não há problema algum. Não é unânime, mas do ponto de vista religioso o casamento poligâmico é uma saída para a disparidade entre homens e mulheres. Montar uma família islâmica é o desejo de muitas mulheres e a poligamia é uma solução”, conta.
No Brasil, não é possível contrair outro matrimônio enquanto ainda se é legalmente casado, com previsão de pena no Código Penal. A prática é legal em países como Camarões, Afeganistão, Sudão e Emirados Árabes Unidos, e outros de regiões da África, Oriente Médio e Ásia.



