Quarta-feira, 17 de Abril de 2024

Home Saúde Sua rinite pode ser coronavírus: saiba o que está por trás da nova onda de casos de covid

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“Estou um pouco gripada, mas não se preocupe, não é covid”. “Minha rinite atacou hoje, mas é só alergia, te garanto. Eu conheço”. É possível que você tenha ouvido algumas dessas frases nas últimas semanas. De fato, adentramos oficialmente a época das síndromes respiratórias. Só que isso não é suficiente para descartar que seja covid.

Pelo contrário: os casos estão com tendência de aumento em todo o País. Para especialistas, os indícios de que a quarta onda da pandemia chegou são cada vez mais fortes e que o momento é, novamente, de cautela.

Enquanto isso, a vacinação da terceira e da quarta doses patina e a ômicron avança. Se a variante BA.1 foi a maior responsável pelo surto de coronavírus no início deste ano, agora, duas novas derivadas (BA.4 e BA.5) podem estar contribuindo também com o novo aumento.

As duas cepas foram originalmente detectadas na África do Sul em janeiro e fevereiro, respectivamente, e têm mudanças significativas em relação à BA.1 (a primeira “versão” da ômicron e que provocou a onda de janeiro no Brasil). As novas cepas já são maioria na Europa, onde também fizeram crescer os casos.

Em Portugal, onde a BA.5 se tornou dominante, houve um crescimento de 58% das notificações de coronavírus e 33% das mortes, na segunda quinzena de maio. Segundo o European Centre for Disease Prevention and Control, agência de saúde da União Europeia, a BA.4 e a BA.5 têm mais chances de escapar das vacinas.

Mas a culpa não é só das variantes, como explica o infectologista Victor Castro Lima, professor de Medicina da UniFTC Salvador. “Esses aumentos são sempre multifatoriais”, diz, citando influências que vão desde o percentual de vacinados e a flexibilização de medidas até redução da imunidade de quem só tomou as duas primeiras doses, com o passar do tempo.

“Há também a própria dinâmica de circulação do vírus. As medidas restritivas hoje foram reduzidas devido ao movimento epidemiológico, mas o vírus pode voltar a circular”, explica.

Para o imunologista, pediatra e alergologista Celso Sant’Anna, já é possível mesmo chamar esse momento de quarta onda da pandemia no Brasil, especialmente devido aos números de grandes centros, como São Paulo.

“Embora o número de óbitos esteja baixo em comparação ao que era, ainda é alto para o que a gente deseja. Três mil óbitos por mês (no Brasil) ainda equivale à quantidade de mortes por influenza de um ano”, compara Sant’Anna.

Variante

Com a ômicron, veio uma queda na proteção das vacinas contra a infecção, de acordo com a imunologista Viviane Boaventura. Isso significa que se trata de uma variante com maior potencial de provocar quadros leves da doença nos vacinados.

Além disso, os cientistas suspeitam que a resposta imunológica produzida pelo corpo de quem teve a covid provocada pela ômicron não seria tão forte quanto com as outras cepas. Além de ser mais fraca, também seria uma proteção de menor duração.

“Dessa forma é importante que indivíduos não vacinados ou com esquema incompleto, incluindo aqueles que tenham sido infectados durante a ômicron, completem o esquema vacinal com a dose de reforço”, diz Viviane. A proteção contra doenças graves para quem tem o esquema vacinal completo, porém, continua alta.

Rinite

Como acontecia na onda do início do ano, é comum que os infectados pela ômicron – em especial, os vacinados – tenham sintomas respiratórios, de forma predominante. Segundo o infectologista Victor Castro Lima, essa cepa trouxe uma característica de afetar principalmente as vias aéreas superiores (nariz, faringe e laringe), e não o pulmão.

“Na ômicron, foram predominantes os casos leves parecidos com resfriados ou até amidalites, que são sintomas muitas vezes negligenciados pelas pessoas. Às vezes, pode ser covid. Se a pessoa não testar, não vai fazer o isolamento adequado e pode passar para outras que vão desenvolver um quadro grave”.

É por isso que qualquer sintoma gripal precisa ser encarado como uma suspeita de covid ainda hoje. Por isso, a orientação se você tem um sintoma desses é testar.

O problema é que a proteção contra a covid hoje – em especial, contra a ômicron – depende muito da administração da terceira dose. O esquema primário, que era composto por duas doses da Coronavac, da Pfizer ou da AstraZeneca ou por uma dose da Janssen, tem a proteção reduzida com o passar dos meses.

De forma geral, o Brasil estacionou na cobertura da terceira dose.

“Nós flexibilizamos cedo a questão das máscaras e não intensificamos como deveríamos as campanhas para aumentar o contingente de pessoas com a terceira dose. Agora, a gente já está vendo uma campanha correta pela quarta dose, mas não podemos esquecer que tem gente que não tomou a terceira”, diz Sant’Anna.

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