Domingo, 03 de Julho de 2022

Home em foco Um ano depois do 1º imunizado, “corrida das vacinas” deixa lições

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Há pouco mais de um ano no mundo – e um pouco menos de um ano no Brasil – as primeiras doses das vacinas contra a covid-19 eram aplicadas. O fantasma da pandemia ainda existe e não se sabe se um dia ele irá sumir, mas, o que já é possível afirmar sobre a imunização contra coronavírus? Onde a ciência evoluiu e aonde ela chegou?

Um ano depois, quais países ficaram à margem da corrida da vacinação e quais conseguiram alcançar as maiores taxas?

A imunologista Cristina Bonorino afirma já existem vencedores da tal “corrida da vacina”:

“Está claro que quem ganhou que foram os países que investiram em ciência e tecnologia. As vacinas vieram da Europa e dos Estados Unidos”. A especialista avalia que “vivemos um grande problema mundial”, mas que não é tratado como tal.

Etiópia, Tanzânia e Nigéria vacinaram apenas menos 2% de sua população com o esquema completo – com uma dose, menos de 10%. Ou seja: mais de 90% das pessoas não estão nem parcialmente protegidas.

Cientistas avaliam que a disseminação do coronavírus em países por falta de acesso aos imunizantes, excluídos socialmente do planeta, continuará a gerar novas variantes. O caso mais recente, da ômicron, foi detectado na África do Sul, país com 25% dos cidadãos imunizados.

Eficácia x efetividade

Jorge Kalil, diretor do Laboratório de Imunologia do Instituto do Coração, explica que eficácia e efetividade são conceitos diferentes: “quando você fala nos estudos clínicos, se chama eficácia. Quando você vê o desempenho da vacina na população em geral, isso se chama efetividade”.

As eficácias das vacinas são diferentes: vacinas de RNA mensageiro e vetor viral são as mais eficazes, enquanto vacinas de vírus inativado tendem a ser menos. No entanto, todas elas se provaram importantes para evitar hospitalizações e mortes.

Sobre a efetividade, Kalil explica que, no começo, era “muito boa”: “algumas pessoas tinham recém se vacinado e a cepa que estava circulando ainda era a de Wuhan. Aí, de repente, começaram a circular novas variantes e a efetividade das vacinas caiu”.

Entre as lições aprendidas em relação à duração da proteção das vacinas, segundo Renato Kfouri, infectologista e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), foi a de que as vacinas para vírus respiratórios não têm uma longa duração de proteção.

Eventos adversos

Segundo Kalil, “os eventos adversos são raros e muito leves”. Mesmo após a aprovação e a aplicação das vacinas, poucos foram os casos de efeitos colaterais comprovados relacionados às vacinas contra a covid.

Entre as situações que mais repercutiram no Brasil, está a morte de uma gestante após receber uma dose e desenvolver trombose.

O caso, bastante raro, chegou a levar a uma suspensão da aplicação da vacina da AstraZeneca no grupo.

No entanto, um estudo demonstrou que grávidas e puérperas que desenvolvem um quadro grave de covid-19 e não receberam a vacina têm cinco vezes mais chances de morrer em relação às que, mesmo graves, foram imunizadas com duas doses.

De acordo com Kalil, e também outros especialistas, a chance de desenvolver um evento grave após a vacina se comprovou bastante rara e, portanto, o risco/benefício dos imunizantes contra a covid-19 se mostrou inquestionável no último ano.

Imunidade de rebanho

Com base em estudos em outras epidemias virais, especialistas chegaram a opinar inicialmente que 60% ou 70% da população com o esquema vacinal completo poderia garantir a imunidade de rebanho — quando a taxa de proteção do grupo influencia na redução da transmissão do vírus. No entanto, com o tempo, a taxa prevista passou a ser de 100%.

“A gente aprendeu que imunidade de rebanho não é possível de se obter. Até hoje vemos gente falando em porcentagem, mas não é possível estipular. Primeiro que é um vírus zoonótico, não acomete só em seres humanos, acomete também em animais. Você não consegue controlar, erradicar e eliminar a transmissão”, explica Kfouri.

“É um vírus que tem mutações, as variantes surgem e escapam da infecção prévia. Quem já teve a infecção, a imunidade não perdura. Pode escapar até das vacinas. É também uma doença que permite reinfecção, diferente de sarampo, catapora, caxumba, rubéola, que você tem uma vez na vida”.

Campanhas futuras

Esta é uma informação que ainda não foi confirmada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem um grupo que estuda a possibilidade. Entretanto, o foco da entidade é vacinar toda a população mundial.

Para Kfouri, a vacinação no futuro vai depender do momento da pandemia.

“No período pós-pandêmico, não há sentido em ficar vacinando toda a população. Teremos, provavelmente, uma vacinação de grupos vulneráveis, algo semelhante com o que a gente faz na gripe. Até lá [o período pós-pandêmico], precisaremos manter altas taxas de proteção”, explica.

O gerente-geral de medicamentos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, disse que segue acompanhando dados sobre a vacinação, mas ainda não existe uma resposta definitiva para a pergunta.

“O que vai trazer essa resposta para a gente é esse acompanhamento da capacidade neutralizante, dos anticorpos neutralizantes, e do número de casos que vão surgindo na população ao longo do tempo”.

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