Segunda-feira, 20 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 19 de julho de 2026
Uma nova tecnologia de vacinas desenvolvida com a ajuda da inteligência artificial (IA) pode imunizar contra famílias inteiras de vírus e até prevenir a próxima pandemia, diz uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge.
Atualmente, o principal problema é que a cepa viral com a qual alguém está imunizado pode não ser a mesma à qual estará exposto meses depois, explica o professor Jonathan Heeney, à frente do estudo, à agência France-Presse. Com a técnica desenvolvida em Cambridge, “eliminamos essa variabilidade ao fabricar algo que, de forma geral, é reconhecido pelo sistema imunológico e deveria proteger em todos os casos”.
O professor canadense embarcou no projeto após a epidemia de ebola de 2014-2016 na África Ocidental, onde estava naquela época. No início, o vírus do ebola foi observado na República Democrática do Congo, onde chegou a ser confundido com febre de Lassa, gastroenterite ou cólera, lembra. Foram necessários vários meses para entendê-lo e buscar uma vacina, mas nesse tempo o vírus já havia chegado à Guiné, à Serra Leoa e depois à Libéria, ou seja, três países diferentes, diz o pesquisador. No total, a epidemia causou mais de 11,3 mil mortes na África Ocidental em dois anos, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Uso de IA
Heeney voltou a Cambridge certo de que era preciso mudar a forma de trabalhar. Com a ajuda das primeiras ferramentas de IA disponíveis, sua equipe reuniu todas as informações sobre vários vírus no computador.
Assim, foi possível identificar tanto “as semelhanças quanto as diferenças nas partes importantes dos vírus às quais o sistema imunológico reage”, o que permite reconhecer todas as suas variantes em vez de apenas uma.
Essa nova técnica é promissora diante do aumento da frequência de aparição de vírus como consequência do crescimento demográfico, dos deslocamentos transfronteiriços e da invasão humana crescente nos hábitats dos animais, explica Heeney.
Vírus que anteriormente existiam sem representar uma ameaça para animais que haviam desenvolvido imunidade encontram-se repentinamente em contato com pessoas sem essa imunidade. E, nesses casos, “o vírus fica fora de controle”, diz o pesquisador.
Um ensaio com 39 voluntários, realizado entre dezembro de 2021 e dezembro de 2023, mostrou que a vacina Sarbeco contra os coronavírus, elaborada pelos pesquisadores de Cambridge com a empresa de biotecnologia DIOSynVax, era segura, segundo artigo publicado este mês na revista da British Infection Association. Agora, ela deve ser testada em uma população mais ampla.
As epidemias sempre existiram, desde a peste negra da Idade Média até a pandemia de gripe de 1918-1920, que matou entre 25 e 50 milhões de pessoas no mundo, lembra Heeney. Ele se preocupa com um possível novo surto de gripe, porque se trata de um vírus particularmente “complicado”. Mas espera que essa nova tecnologia permita prevenir outra pandemia mortal. “Espero que seja o início de uma nova era na fabricação de vacinas”, conclui. (Com informações de O Estado de S. Paulo)