Domingo, 16 de Junho de 2024

Home em foco Venda de medicamentos do kit covid cai 61%

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O discurso bolsonarista a favor do uso do ineficaz “kit covid” perdeu respaldo entre a população, mesmo com o recente aumento do número de casos da doença, com a variante Ômicron. Dados mostram que de novembro de 2021 até o fim de janeiro, vendas de ivermectina caíram 61% em comparação ao mesmo período em 2020/2021. O medicamento chegou a ter alta de 921% em relação ao pré-pandemia.

A busca por hidroxicloroquina também caiu significativamente: 42%. O levantamento do Conselho Federal de Farmácia (CFF) e da consultoria IQVIA para a Coluna representam derrota para o bolsonarismo, que ao longo da pandemia insistiu na tese do tratamento da covid-19 com essas drogas.

A principal hipótese para explicar a baixa nas vendas desses medicamentos é que a população preferiu a vacina, sobretudo diante da queda no número de mortes e casos graves da doença.

“A ciência está vencendo a desinformação. Contam muito os resultados pós-vacinação, como a queda nas taxas de mortalidade, e as sucessivas manifestações das sociedades científicas a favor da medicina baseada em evidências”, avaliou o farmacêutico Wellington Barros, do CFF.

Estados em que Jair Bolsonaro saiu vitorioso no 2º turno de 2018 estão entre os que registraram maior queda na venda de hidroxicloroquina em farmácias. Amazonas puxa a lista (-72%). Mato Grosso do Sul (-65%), Paraná (-64%) e Santa Catarina (-61%) aparecem na sequência. São Paulo registrou baixa de 45%.

Bactérias fortes

A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), órgão da Organização Mundial da Saúde (OMS), alerta que o uso indiscriminado de medicamentos como cloroquina, ivermectina e azitromicina para tratar sintomas de covid deverá levar a um aumento de doenças resistentes a estes medicamentos, que agem contra parasitas e bactérias, mas não funcionam contra vírus de nenhum tipo.

“Ao longo desta pandemia, vimos o uso de antimicrobianos aumentar a níveis sem precedentes, com consequências potencialmente graves nos próximos anos”, informa a entidade. Diferentes países da região já notificaram o aumento de infecções resistentes. “Antimicrobianos também têm sido mal utilizados fora dos ambientes hospitalares. Drogas como ivermectina, azitromicina e cloroquina foram amplamente utilizadas como tratamentos não comprovados, mesmo depois de fortes evidências de que não traziam benefícios”, completa a Opas.

Estes medicamentos, antibióticos e antiparasitários, são essenciais para conter doenças que circulam de forma endêmica. Ao serem utilizados sem necessidade, tal como estimulado amplamente pelo presidente e seus seguidores, perdem eficácia para o que deveriam ser aplicados: o combate a bactérias e parasitas.

“Bactérias podem desenvolver resistência e tornar esses medicamentos ineficazes com o tempo. Na verdade, é exatamente isso que estamos vendo: devido ao uso excessivo e indevido de antibióticos e outros antimicrobianos, corremos o risco de perder os medicamentos de que dependemos para tratar infecções comuns”, explica a Opas.

Como saída para uma futura crise que pode ter já sido desencadeada pelo uso destes medicamentos durante a pandemia, a Opas cobra fiscalização rigorosa, para que as pessoas não possam comprá-los sem receita médica. Os especialistas também pedem iniciativas para o desenvolvimento de novos medicamentos. “Assim como fomos capazes de canalizar nossa capacidade coletiva para desenvolver diagnósticos e vacinas para covid-19 em tempo recorde, precisamos de compromisso e colaboração para desenvolver novos antimicrobianos a preços acessíveis.”

Parte da ação proposta pela entidade também envolve a Semana Mundial de Conscientização sobre Antimicrobianos, na próxima semana. “Embora possa levar meses ou anos até que vejamos o impacto do uso indevido e excessivo, não podemos esperar para agir. Vamos começar hoje. É algo mais relevante do que nunca no contexto da covid-19. Precisamos que todos os países trabalhem juntos”, finalizam.

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