Segunda-feira, 29 de Novembro de 2021

Home em foco A imagem positiva do presidente argentino, Alberto Fernández, alcançou seu patamar mais baixo desde que chegou ao poder

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Pesquisas recentes realizadas após a surra eleitoral sofrida por seu governo nas Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias (Paso) de 13 de setembro, mostraram que a imagem positiva do presidente argentino, Alberto Fernández, alcançou seu patamar mais baixo desde que chegou ao poder, em dezembro de 2019.

De acordo com trabalho divulgado pela empresa de consultoria Berensztein e D’Alessio IROL, a popularidade do chefe de Estado atinge 35% (no começo da pandemia oscilou entre 70% e 80%). Já sua imagem negativa bateu novo recorde, chegando a 61%.

Fernández está acuado. Os ataques opositores são cada vez mais ferozes e, paralelamente, se intensificam os questionamentos dentro da aliança de governo peronista Frente de Todos. No domingo passado (17), Dia da Lealdade Peronista, movimentos kirchneristas organizaram uma marcha na Praça de Maio, da qual Fernández pensou em participar (chegou a ir de helicóptero até proximidades do local e retornou para a residência presidencial de Olivos), mas desistiu por temor ao que finalmente acabou acontecendo.

FMI

A manifestação se transformou em palco para kirchneristas raivosos, entre eles a presidente das Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, que aproveitaram para lançar ameaças a um governo que, de acordo com os seguidores da vice-presidente e ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), está priorizando o setor empresarial e o Fundo Monetário Internacional (FMI) e abandonando os mais humildes.

Há meses, o governo Fernández está em conversas com o Fundo para renegociar uma dívida de US$ 44 bilhões, herdada do governo de Mauricio Macri (2015-2019). “Este ato é o início de uma luta que continuará até que consigamos não pagar a dívida, que o saiba o senhor presidente. Nos dá muita tristeza, porque o senhor sempre se reúne com os ricos e não nos ouve”, disparou Bonafini.

No próximo dia 14 de novembro, os argentinos irão às urnas para renovar metade da Câmara e um terço do Senado, presidido por Cristina. Se o resultado das Paso — espécie de ensaio no qual partidos e alianças elegem seus candidatos ao Parlamento — se confirmar, o governo perderá a maioria no Senado e várias cadeiras na Câmara. A opositora Juntos pela Mudança, integrada por Macri e aliados, está correndo contra o tempo para conquistar — o que não é impossível — o controle da Câmara.

Racha

Na visão de Juan Negri, professor da Universidade Di Tella, “as Paso mostraram que a Frente de Todos foi uma alternativa para ganhar uma eleição, mas hoje está fragmentada e tem um presidente isolado por parte de seus próprios aliados”.

“O resultado das primárias revelou a incapacidade do peronismo de processar uma derrota de maneira digna. O governo tem baixa capacidade de manobra e está anunciando medidas que refletem descontrole e falta de coerência interna”, afirma Negri.

As medidas às quais se refere o analista são, entre outras, a emissão de pesos para financiar um gasto público em aumento e um programa de congelamento de preços, que provocam polêmica e mal-estar entre empresários.

Logo após o revés eleitoral nas Paso, uma fonte da Casa Rosada admitiu que a única maneira de reverter esse resultado desastroso (os candidatos da aliança de governo foram superados pela oposição em número de votos em quase todo o país) de novembro era “pôr dinheiro no bolso dos argentinos”.

Populismo básico que, segundo opositores, significa jogar gasolina na fogueira. Entre os argentinos, cresce o temor sobre o que poderá acontecer após as eleições, sobretudo em matéria de inflação (já em torno de 50% ao ano) e eventual disparada do dólar.

“O peronismo moderado que Fernández prometeu na campanha de 2019 nunca chegou a decolar. Muitos tememos que depois de 14 de novembro o kirchnerismo amplie seu poder e possa forçar a saída de ministros que ainda resistem, sobretudo o da Economia, Martin Guzmán”, complementa o professor.

As pressões de Cristina e seus aliados passaram a ser explícitas, públicas e cada vez mais frequentes. Recentemente, a vice-presidente reuniu um grupo de jovens na Escola de Mecânica da Marinha, ex-centro clandestino de torturas da última ditadura (1976-1983) transformado em Museu da Memória, e declarou que “Perón nunca permitiu a entrada do FMI e Néstor (Kirchner) pagou toda a dívida depois de dois anos de mandato”.

Seu filho, o deputado Máximo Kirchner, líder do governo na Câmara, também lançou dardos pesados: “Cada dólar que for destinado ao pagamento da dívida com o FMI será um dólar menos para o povo.”

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