Segunda-feira, 27 de Abril de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 26 de abril de 2026
Um estudo conduzido pela Universidade de Lund, na Suécia, revelou que o momento em que ocorre o ganho de peso ao longo da vida tem grande impacto na saúde. De acordo com os pesquisadores, o início da idade adulta, especificamente entre os 17 e 29 anos, é o período mais crítico para o desenvolvimento da obesidade. Aqueles que ganharam peso nesse período têm cerca de 70% mais chances de morrer prematuramente do que aqueles que não desenvolveram obesidade antes dos 60 anos.
A pesquisa, que analisou dados de mais de 600 mil pessoas acompanhadas entre 17 e 60 anos, sugere que a exposição prolongada aos efeitos do excesso de peso, como inflamação crônica e resistência à insulina, pode acelerar o surgimento de doenças graves. As doenças cardiovasculares, como infarto e AVC, foram as principais causas de morte observadas no estudo, embora o câncer tenha mostrado uma relação diferente entre os sexos.
Os pesquisadores destacaram que, mesmo com a limitação do estudo, que não levou em conta fatores como dieta e atividade física, os resultados demonstram a relevância de intervenções precoces. “Este estudo envia uma mensagem importante aos tomadores de decisão e políticos sobre a importância da prevenção da obesidade”, observou Tanja Stocks, uma das autoras do estudo.
“Nossa descoberta mais consistente é que o ganho de peso em uma idade mais jovem está associado a um risco maior de morte prematura na velhice”, afirma Tanja Stocks, epidemiologista e uma das autoras do estudo, em comunicado. “Isso em comparação com pessoas que ganham menos peso.”
Os resultados mostram que indivíduos que desenvolveram obesidade entre os 17 e os 29 anos tiveram cerca de 70% mais chances de morrer durante o período de acompanhamento, em comparação com aqueles que não se tornaram obesos antes dos 60 anos.
Em termos práticos, isso significa que, se 10 em cada 1.000 pessoas sem obesidade precoce morreram ao longo do estudo, esse número sobe para cerca de 17 entre aqueles que ganharam peso mais cedo.
Implicações do estudo
Um dos principais pontos centrais do estudo é o uso de medições objetivas de peso, muitas delas realizadas em contextos clínicos, o que aumenta a confiabilidade dos resultados. “A predominância de medições de peso objetivas em nosso estudo contribui para resultados mais confiáveis e robustos”, aponta Stocks.
Ainda assim, há limitações. Fatores como dieta e atividade física não foram considerados, embora sejam conhecidos determinantes da saúde e do risco de mortalidade. Além disso, o estudo não prova causalidade direta — ou seja, não é possível afirmar que o ganho de peso precoce seja o único responsável pelas mortes observadas.
Mesmo com essas ressalvas, os pesquisadores destacam que o padrão identificado é consistente e relevante para a saúde pública. Em um contexto descrito por especialistas como “sociedade obesogênica”, em que o ambiente favorece hábitos pouco saudáveis, os achados reforçam a importância de intervenções precoces.
“Este estudo envia uma mensagem importante aos tomadores de decisão e políticos sobre a importância da prevenção da obesidade”, observa Stocks. Evitar o ganho de peso desde o início da vida adulta pode ter efeitos duradouros na redução de doenças e na longevidade.