Sexta-feira, 08 de Maio de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 7 de maio de 2026
A Polícia Federal (PF) apontou que Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, fugiu de uma residência, em Trancoso (BA), minutos antes da chegada dos agentes da PF em 14 de janeiro de 2026, data da segunda fase da Operação Compliance Zero. Na ocasião, Felipe foi visto pelas câmeras de segurança saindo da casa em um carrinho de golfe.
Nessa quinta-feira (7), o primo de Vorcaro foi alvo de um mandado de prisão temporária expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso Master na Corte. Ele foi detido em Minas Gerais no âmbito da nova fase da Compliance Zero sob o argumento de que ele poderia obstruir as investigações.
Na decisão, o ministro do STF escreveu que os atos do primo de Vorcaro denotam “potencial acesso a informações privilegiadas” – ou seja, há a suspeita de que o investigado foi avisado antes sobre a operação.
Ao chegar à residência, os agentes da PF se depararam com um cenário de “abandono abrupto”, com “roupas de cama desarrumadas e o ar-condicionado em funcionamento”, e destacaram que os dispositivos eletrônicos haviam sumido.
“Conforme consignado no Relatório Circunstanciado de Diligências da equipe BA-40, o cumprimento de mandado de Terravista, em Trancoso/BA, revelou que o investigado se evadiu do local poucos minutos antes da chegada da Polícia Federal, em circunstâncias absolutamente incompatíveis com uma saída ordinária”, diz trecho da representação da PF.
De acordo com a PF, uma pessoa com os traços de Felipe conferiu o celular por 8 vezes antes de pegar o carrinho de golfe e se retirar do local. Cerca de dez minutos depois, os agentes da PF chegaram nos fundos do imóvel e não encontraram o alvo por lá.
“Verificou-se a ausência completa de dispositivos eletrônicos pessoais, notadamente aparelhos de telefonia e computadores, o que demonstra que a evasão foi acompanhada de retirada seletiva de objetos diretamente relacionados à investigação”, acrescentou os agentes.
Nova fase
A PF afirma que a nova fase da operação relacionada a suspeitas envolvendo o Banco Master tem como objetivo aprofundar a apuração sobre um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Além do primo de Vorcaro, o senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi um dos alvos de mandados de busca e apreensão.
Na decisão, André Mendonça escreveu que Ciro Nogueira foi indicado como “destinatário central” de vantagens indevidas pagas pelo dono do Master. A PF cita mensagens que sugerem trocas de favores entre o senador e o executivo do banco.
Um dos indícios citados pela PF é uma emenda apresentada por Nogueira no Senado para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que, segundo a apuração foi redigida dentro do Banco Master. De acordo com a PF, o texto foi elaborado pela assessoria da instituição financeira, encaminhado a Daniel Vorcaro, impresso e entregue em um envelope destinado a “Ciro” no endereço residencial do parlamentar.
A emenda citada PF ampliava a cobertura do FGC a investidores de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A garantia do fundo era uma das principais estratégias de negócio do Master para alavancar investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs). A PF identificou mensagem em que Vorcaro comemora a emenda apresentada por Ciro Nogueira: “Saiu exatamente como mandei”.
A proposta, apresentada por Nogueira em agosto de 2024, foi apelidada no Senado de “emenda Master” e não chegou a ser aprovada.
Em nota, a defesa do senador repudiou “qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar” e disse que ele está a disposição da Justiça para esclarecer as suspeitas.
“(A defesa) reitera o comprometimento do Senador em contribuir com a Justiça, a fim de esclarecer que não teve qualquer participação em atividades ilícitas e nos fatos investigados, colocando-se à disposição para esclarecimentos. Pondera, por fim, que medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas”, diz o texto assinado pelo advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay. (Com informações do jornal O Globo)