Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026

Home Economia Contas do governo têm superávit de R$ 10,8 bilhões; no acumulado do ano, rombo é de R$ 81,3 bilhões

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As contas do governo central, que reúnem Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central, registraram superávit primário de R$ 10,783 bilhões em julho, informou o Tesouro Nacional nesta quinta-feira (27). O resultado representa uma melhora em relação a junho, quando houve déficit de R$ 48,178 bilhões.

O saldo também foi superior ao registrado em julho de 2025, quando as contas do governo central apresentaram resultado negativo de R$ 59,07 bilhões. Considerando os valores corrigidos pela inflação, o superávit de julho foi o melhor para o mês desde 2022, quando havia sido registrado resultado positivo de R$ 22,614 bilhões.

A melhora foi influenciada pelo comportamento das receitas e das despesas. Em julho, as despesas do governo central caíram 20,7% em termos reais, na comparação com o mesmo mês do ano passado. As receitas totais, por outro lado, cresceram 8,3% acima da inflação.

A arrecadação do governo federal com impostos e contribuições somou R$ 289,346 bilhões em julho. O desempenho das receitas foi apontado pelo Tesouro como um dos fatores que contribuíram para o resultado positivo registrado no mês.

Apesar do superávit em julho, as contas do governo central acumulam déficit primário de R$ 81,305 bilhões nos sete primeiros meses de 2026. No mesmo período de 2025, o resultado negativo era de R$ 70,347 bilhões, sem correção pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

No acumulado do ano, as despesas registraram crescimento real de 6,2%, enquanto as receitas totais avançaram 5,7% acima da inflação. O resultado mostra que, apesar da melhora registrada em julho, as contas públicas continuam pressionadas no acumulado de 2026.

Considerando os 12 meses encerrados em julho, o déficit primário do governo central soma R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB). Nesse período, as despesas obrigatórias correspondem a 17,32% do PIB, enquanto as despesas discricionárias representam 1,88%.

A meta fiscal estabelecida para 2026 prevê superávit primário equivalente a 0,25% do PIB. A regra permite uma margem de tolerância de 0,25 ponto percentual para mais ou para menos em relação à meta.

Segundo o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, o resultado de julho apresenta um cenário mais equilibrado em razão, entre outros fatores, do calendário de pagamentos de precatórios — dívidas judiciais da União — e da execução de emendas parlamentares.

“Está com um resultado já um pouco mais equilibrado. Ele vinha em um resultado pior ao longo do ano devido à sazonalidade, tanto do pagamento de precatórios, como também de uma execução um pouco mais acelerada, quando comparado ao ano passado, das despesas discricionárias”, afirmou.

Leal também destacou o comportamento positivo de algumas receitas. Segundo o secretário, houve surpresas favoráveis na arrecadação relacionada ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), à exploração de recursos naturais e ao Imposto de Renda.

Do lado das despesas, o secretário afirmou que os gastos discricionários, que não são obrigatórios, apresentaram estabilização após uma aceleração observada no início do ano em relação ao mesmo período de 2025.

As despesas obrigatórias, por sua vez, registraram queda em julho, movimento que também foi relacionado pelo secretário ao calendário de pagamento dos precatórios. A distribuição desses pagamentos ao longo do ano provoca efeitos sazonais sobre o resultado das contas públicas.

Leal afirmou ainda que a despesa total do governo central caminha para uma normalização ao longo do ano. Segundo ele, o nível atual, de aproximadamente 19,2% do PIB, deve recuar até o fim de 2026, para um patamar um pouco inferior ao registrado atualmente.

O resultado de julho será incorporado às próximas avaliações sobre o cumprimento da meta fiscal deste ano. O desempenho das receitas, a evolução das despesas obrigatórias e o comportamento dos gastos discricionários serão alguns dos fatores considerados nas projeções para o resultado das contas públicas.

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