Segunda-feira, 26 de Fevereiro de 2024

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Pela primeira vez, cientistas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) conseguiram mostrar que a infecção pelo vírus SARS-CoV-2, causador da Covid-19, altera o padrão de funcionamento dos RNAs das células. Para isso, eles analisaram 13 conjuntos de dados obtidos ao longo de quatro estudos que analisaram o RNA viral, bem como o de células animais e humanas.

O mais recente deles, publicado na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology, avaliou modificações (ou epitranscriptoma) de células Vero (derivadas de macacos) e da linhagem Calu-3 humanas por meio de uma técnica de sequenciamento direto do RNA. O epitranscriptoma corresponde ao conjunto de modificações bioquímicas do RNA dentro de uma célula.

Metilação

A metilação, por exemplo, é uma modificação bioquímica que ocorre na célula pela ação de enzimas capazes de transferir parte de uma molécula para outra. Isso altera o comportamento de proteínas, enzimas, hormônios e genes. Os pesquisadores demonstraram no estudo as mudanças no RNA das células infectadas de modo quantitativo, ao analisar todo o conjunto de RNAs nelas existente, e de modo qualitativo, ao apontar individualmente num mapa o número de metilações por região base dos nucleotídeos que compõem o RNA dessas células.

“Nosso primeiro achado importante neste trabalho é que a infecção pelo SARS-CoV-2 aumenta no conjunto de RNAs da célula o nível global de metilação do tipo m6A [N6-metiladenosina], em comparação com as células não infectadas”, diz Marcelo Briones, pesquisador do Centro de Bioinformática Médica da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenador da investigação.

O estudo é continuação de um trabalho publicado em 2021, que analisou o epigenoma do vírus e mostrou o padrão da metilação em seu RNA. “Nos vírus, a metilação tem duas funções: regular a expressão das proteínas e defender o patógeno [agente causador de doenças] da ação do interferon, uma potente substância antiviral fabricada pelo organismo hospedeiro”, diz Briones.

Nos dois trabalhos, os pesquisadores analisaram o tipo mais comum de modificação de nucleotídeo de RNA, o m6A, que está envolvido em vários processos cruciais dos RNAs, como a localização intracelular e a capacidade de produzir proteínas.

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