Quinta-feira, 16 de Abril de 2026

Home Acontece Corsan redesenha o saneamento para recuperar rios e enfrentar crises climáticas

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Em dias de cheia, a água que avança sobre cidades do Rio Grande do Sul carrega mais do que volume: expõe fragilidades acumuladas ao longo de décadas. Nos períodos de estiagem, quando os níveis recuam, o que emerge é outro retrato do mesmo problema — rios degradados, pressionados por uma infraestrutura que não acompanhou o crescimento urbano. Entre extremos cada vez mais frequentes, o Estado chega a um ponto de inflexão.

É nesse cenário que a Corsan reposiciona sua atuação e passa a tratar o saneamento como eixo estratégico, não apenas para ampliar serviços, mas para garantir segurança hídrica em um ambiente climático mais instável.

Os dados ajudam a dimensionar o desafio. Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostra que o Estado concentra alguns dos rios mais poluídos do país, entre eles o Rio dos Sinos, o Rio Gravataí e o Rio Caí. Em comum, esses mananciais recebem, há décadas, esgoto sem tratamento, resíduos industriais e lixo urbano.

Esse quadro está diretamente ligado a um déficit estrutural persistente. Segundo o Instituto Trata Brasil, 65,3% da população gaúcha ainda não tem acesso à coleta de esgoto. O impacto vai além da degradação ambiental: compromete a saúde pública, pressiona sistemas urbanos e limita o desenvolvimento das cidades.

A expansão da infraestrutura segue sendo essencial para enfrentar esse passivo. Redes de esgoto e estações de tratamento são a base da recuperação dos rios. No entanto, os eventos climáticos extremos recentes — com destaque para as enchentes de 2024 — introduziram uma nova exigência: garantir que os sistemas funcionem mesmo sob condições adversas.

É nesse ponto que o Plano de Resiliência Hídrica da Corsan se consolida como o principal vetor de transformação do setor no Estado.

Com previsão de R$ 1,88 bilhão em investimentos e alcance em 55 municípios, o plano redefine a lógica do saneamento ao incorporar o risco climático como variável central de planejamento. Não se trata apenas de expandir redes, mas de construir sistemas capazes de operar com estabilidade em cenários de crise.

A realocação de 91 unidades operacionais para áreas fora de zonas de inundação ilustra essa mudança de paradigma. A medida busca proteger estruturas essenciais e evitar interrupções em momentos críticos. A perfuração de poços profundos amplia a segurança do abastecimento, criando fontes alternativas em situações de emergência.

O reforço das interligações entre sistemas e a ampliação da capacidade de reservação introduzem maior flexibilidade operacional, permitindo transferências de água entre regiões e reduzindo o risco de desabastecimento. Ao mesmo tempo, a modernização das Estações de Tratamento de Água e de Esgoto, aliada à implantação de redundâncias operacionais, aumenta a robustez da infraestrutura.

O uso intensivo de tecnologia complementa essa transformação. Monitoramento em tempo real, com sensores e telemetria, permite antecipar falhas e otimizar decisões. A formação de estoques estratégicos de equipamentos fortalece a capacidade de resposta em emergências, reduzindo o tempo de reação das equipes.

Na primeira etapa, cerca de R$ 350 milhões já estão previstos, dentro de um ciclo contínuo de adaptação. Mais do que um conjunto de obras, o plano estabelece um novo padrão de atuação para a companhia, alinhado às exigências de um cenário climático em transformação.

Essa agenda de resiliência não substitui a necessidade de avançar na coleta e tratamento de esgoto — ela a amplia. Sem a redução da carga poluente, a recuperação dos rios permanece incompleta. Mas, ao integrar expansão e capacidade de resposta, o saneamento passa a operar em uma escala mais abrangente.

O que se observa, portanto, é uma mudança estrutural no papel da Corsan. A companhia deixa de atuar apenas como operadora de serviços e passa a se posicionar como agente central na organização da infraestrutura hídrica do Estado.

Recuperar rios e garantir abastecimento já não são agendas separadas. São dimensões de uma mesma estratégia — que exige continuidade, investimento e adaptação.

Porque, no fim, é na capacidade de proteger a água — em todas as suas etapas — que se define não apenas a eficiência de um sistema, mas o grau de preparo de um território para enfrentar o futuro.(por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)

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