Quinta-feira, 06 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 5 de agosto de 2026
Pesquisa Quaest divulgada nessa quarta-feira (5) sinaliza uma recuperação de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa presidencial e uma perda de impulso na melhora da imagem do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, segundo análise do diretor do instituto, Felipe Nunes.
“O que explica essa recuperação? Minha leitura é que a direita se reorganiza e o eleitor anti-petista voltou a considerar Flávio. No 2º turno, Flávio sobe de 74% para 81% na direita não bolsonarista e de 91% para 95% entre bolsonaristas”, afirmou Nunes.
No primeiro turno, Lula (PT) oscilou de 40% para 39%, enquanto Flávio Bolsonaro passou de 28% para 30%. A diferença entre eles caiu de 12 para 9 pontos percentuais.
No segundo turno, Lula tem 44%, e Flávio Bolsonaro, 39%. Na pesquisa anterior, eram 45% e 37%, respectivamente. A vantagem do presidente diminuiu de 8 para 5 pontos.
Lula ainda lidera os cenários de primeiro e de segundo turno, e as variações da pesquisa de agosto estão dentro da margem de erro. Ainda assim, Nunes avalia que o conjunto dos indicadores, como intenção de voto, rejeição, potencial de voto e convicção, aponta uma recuperação do senador.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre 31 de julho e 3 de agosto. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-06591/2026.
Recuperação
Além de avançar nas intenções de voto, Flávio Bolsonaro ampliou de 38% para 41% o percentual dos entrevistados que o conhecem e poderiam votar nele de julho para agosto. A rejeição oscilou de 57% para 54% no mesmo período, e a parcela de seus eleitores que considera o voto definitivo subiu de 62% para 68%.
Para Nunes, a primeira peça da reorganização da direita foi a reconciliação pública com Michelle Bolsonaro. As pazes foram consideradas positivas por 59% e negativas por 25%. A avaliação positiva chega a 88% na direita não bolsonarista e a 90% entre os bolsonaristas.
Também aumentou de 38% para 46% a parcela que considera que o apoio de Michelle eleva as chances de vitória de Flávio Bolsonaro. Entre os bolsonaristas, o percentual passou de 45% para 79%; na direita não bolsonarista, de 53% para 70%.
Outro fator foi a reação à proibição de Flávio Bolsonaro visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para 52%, a decisão foi errada; 41% a consideraram correta. Entre os independentes, 50% viram a medida como errada, percentual que chega a 83% na direita não bolsonarista e a 92% entre os bolsonaristas.
“A reconciliação reduziu a divisão e a restrição judicial reativou a percepção de exagero institucional. Esse movimento explica melhor a recuperação do que a fala sobre urnas: essas declarações diminuem a chance de voto em Flávio para 26% e aumentam para 15%”, escreveu Nunes.
Segundo a pesquisa, 54% dizem que as declarações de Flávio Bolsonaro sobre as urnas em uma reunião com embaixadores não alteram a intenção de voto.
Melhora do governo
A aprovação do governo vinha melhorando desde abril, quando 43% aprovavam a gestão e 52% desaprovavam. Em julho, os índices chegaram a 48% e 47%, respectivamente, e permaneceram nesse patamar em agosto.
Segundo Nunes, os programas econômicos continuam ajudando Lula, mas perderam capacidade de produzir novos ganhos políticos.
No Desenrola 2.0, a parcela que considera o programa uma boa ideia caiu de 55% para 47%, enquanto o percentual de beneficiados diretamente passou de 12% para 10%. Entre eles, os que perceberam aumento significativo na renda caíram de 35% para 26%.
“Os programas não deixaram de ajudar. O que parece ter diminuído é seu efeito marginal: o ganho político adicional que produzem ao longo do tempo. Tanto que a aprovação ficou estável em 48% e a desaprovação em 47%”, afirmou Nunes.
A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil seguiu movimento semelhante. A parcela que diz ter sido beneficiada oscilou de 32% para 30%.
Entre os beneficiados, 46% não sentiram diferença na renda, ante 39% em julho. Os que perceberam aumento significativo passaram de 24% para 21%.
Economia
A percepção sobre a economia apresenta movimentos em direções diferentes. Para 43%, a situação piorou nos últimos 12 meses; 35% dizem que ficou igual, e 19%, que melhorou.
Também aumentou de 66% para 68% a parcela que percebeu alta nos preços dos alimentos. Para 69%, o poder de compra é menor do que há um ano.
Por outro lado, o percentual que considera estar mais difícil conseguir emprego caiu de 55% para 48%, enquanto os que dizem estar mais fácil passaram de 36% para 41%. A expectativa de melhora da economia nos próximos 12 meses avançou de 39% para 46%.
O principal limite continua sendo a chamada affordability — a capacidade de a renda acompanhar o custo de vida. Para 32%, a renda familiar não aumentou, e 23% dizem que ela cresceu menos do que os preços.
Somados, 55% afirmam que a renda não avançou ou perdeu para o custo de vida. Outros 33% dizem que renda e preços subiram na mesma proporção, e 10% afirmam que os ganhos superaram os custos. (Com informações do portal de notícias g1)