Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 10 de setembro de 2026
O Partido dos Trabalhadores deve propor adoção de mandatos a ministros de tribunais superiores em resolução da executiva do partido que será divulgada ainda nessa quinta-feira (10), em meio à crise institucional sem precedentes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o presidente do partido, Edinho Silva, o texto deve sugerir o início de um debate sobre esse assunto, sem trazer detalhes de quantos anos de mandato e como isso se daria.
“Nós vamos abrir o debate de mandatos, não especificamos nem detalhamos”, disse Edinho.
Na eleição de 2018, em que o PT teve inicialmente Luiz Inácio Lula da Silva como candidato a presidente e depois Fernando Haddad, o programa de governo propunha a adoção de mandatos para ministros do Supremo e de cortes superiores. Na época, o partido estava em conflito com a Corte, que negou um habeas corpus para livrar Lula da prisão e também a possibilidade de ele ser candidato naquela disputa.
No segundo turno de 2018, com necessidade de tornar o programa mais suave para atrair eleitores de centro, Haddad determinou a alteração do programa. Na nova versão do documento, a legenda falava em “debater” a implantação de mandatos para ministros de tribunais superiores e mais em “instituir”.
Desde a escalada da crise, integrantes do PT e da campanha de Lula à reeleição têm reforçado a necessidade de discutir uma reforma no Judiciário, tema que já tinha sido levantado pelo partido em outras ocasiões e consta no programa do presidente de forma genérica.
“Não obstante os avanços recentes, o sistema de Justiça brasileira ainda é marcado por uma morosidade decisória decorrente da quantidade excessiva de processos e instâncias recursais. Nesse sentido, propomos a continuidade do diálogo permanente com os atores do judiciário, respeitada a autonomia dos Poderes, para estimular o aperfeiçoamento do sistema de Justiça”, diz o programa.
Edinho Silva afirmou ainda que que o PT não usa a crise “de forma oportunista para enfraquecer o Judiciário”, mas ao contrário: que o partido quer fortalecer o Poder.
“A reforma do Judiciário é uma bandeira antiga do PT, temos legitimidade para falar sobre isso porque sempre falamos sobre isso. Sabemos que não há democracia sólida com o Judiciário fraco, não há democracia que efetivamente seja estável com o Judiciário instável. Estamos defendendo uma reforma para fortalecer o Poder Judiciário”, disse Edinho.
O dirigente partidário também disse que o texto do partido deverá propor mudanças que aumentem a participação da sociedade civil em órgãos de controle do Judiciário, a exemplo do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
A resolução foi discutida em reunião da executiva da sigla convocada às pressas pelo PT nessa quinta. A ideia era discutir a conjuntura política diante da crise no Supremo e detalhar novas estratégias para a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Com informações do jornal o Globo)