Domingo, 30 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de agosto de 2026
Trocas de mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) entre a empresária Roberta Luchsinger e o então chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, mostram que em 2023 o auxiliar do Palácio do Planalto a ajudou a marcar, em três dias, uma reunião com o então secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, conhecido como Berger, que ocupa desde março de 2025 o cargo de chefe de gabinete adjunto da Presidência da República.
Os diálogos também mostram que Marcola comemorou a reunião e acompanhou as tentativas da empresária, que é amiga do filho mais velho do presidente, Fábio Luís da Silva, o Lulinha, e é investigada pela PF por suposto tráfico de influência, ao buscar um contrato junto ao Ministério da Saúde. Segundo o material, a lobista se apresentou como “amiga do Marcola” para o então número dois da pasta, que já havia sido avisado antes por Marcola que ela o procuraria.
O portal Valor teve acesso a trechos das conversas que fazem parte do inquérito para investigar a suspeita de tráfico de influência de Luchsinger e Lulinha junto ao Ministério da Saúde. Apesar de eles não terem obtido sucesso na tentativa de emplacar um contrato de venda de canabidiol para a pasta, a PF quer avançar na investigação sobre as relações entre os personagens e as tratativas que eles fizeram junto ao governo.
O material analisado pela PF indica que Marcola teria passado o telefone direto de Berger para a lobista, e também acompanhou as tentativas dela de levar a discussão sobre venda de canabidiol ao governo em mais de uma ocasião.
Em 19 de setembro de 2023, Luchsinger encaminhou uma mensagem de WhatsApp direto para Berger.
“Boa tarde, secretário, tudo bem? Aqui é Roberta Luchsinger, amiga do Marcola. Ele me passou seu contato. Quinta agora estarei em Brasília. Se o sr. puder, poderíamos tomar um café. Senão marcamos na melhor data para você. Obrigada, beijos”, escreveu a empresária às 15h52min.
Às 15h54 o secretário-executivo da Saúde responde:
“Boa tarde, Roberta, tudo bem? Marcola me disse que ligaria. Minha secretária Mara, cujo número compartilho com você, vai acertar a agenda ok? Abraços.”
As 16h18, Luchsinger responde: “Tudo bem, obrigada”.
Em paralelo a essa conversa, a empresária estava em contato com Marcola no WhatsApp e, às 19h do mesmo dia, mandou um “print” para ele e avisou que estava falando com a secretária de Berger. Marcola respondeu com “muito bom”.
Três dias depois, em 21 de setembro de 2023, Luchsinger manda mensagem para Marcola avisando que encontraria Berger às 15h30 e, depois da reunião, comenta que ele havia sido “super solícito”.
Na agenda oficial de Berger divulgada pelo governo federal não há nenhum registro de reunião com Luchsinger. O Valor consultou o sistema na quarta-feira (26) e consta que ele estava substituindo a então ministra da Saúde Nísia Trindade e que teve uma reunião do Comitê Gestor do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) entre as 14h e as 15h30. Depois desse horário, não há outro registro de agenda oficial naquela data.
Às 16h37 o então chefe de gabinete de Lula responde: “Que bom”, ao que Luchsinger comenta na sequência que iria contar a ele melhor “pessoalmente”. Para a PF, as mensagens teriam se dado no contexto das tentativas de Luchsinger de emplacar o contrato de fornecimento de canabidiol para o SUS. Com informações do Valor Econômico.