Quinta-feira, 30 de Julho de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 29 de julho de 2026
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) afirmou, sem apresentar provas, que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria atuado para viabilizar um aporte de US$ 1 bilhão com o objetivo de favorecer a candidatura do então ministro da Economia argentino, Sergio Massa, na eleição presidencial de 2023. A declaração foi feita durante entrevista ao programa do jornal argentino La Nacion, em meio ao acirramento das tensões diplomáticas entre Brasil e Argentina.
Segundo informações divulgadas pelo portal Metrópoles, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro alegou que Lula teria recorrido à então ministra do Planejamento, Simone Tebet, para buscar a liberação dos recursos. Na avaliação de Eduardo Bolsonaro, a medida teria como finalidade fortalecer a economia argentina durante o período eleitoral e, consequentemente, beneficiar a candidatura governista de Sergio Massa, que disputou o segundo turno contra Javier Milei.
Durante a entrevista, o ex-deputado voltou a sustentar que a suposta movimentação financeira representaria uma forma de interferência externa no processo eleitoral argentino. Questionado pelo entrevistador sobre a existência de provas que sustentassem essa acusação, Eduardo Bolsonaro não apresentou evidências e manteve a versão de que houve atuação do governo brasileiro para favorecer o candidato peronista.
As declarações foram feitas em um contexto de desgaste nas relações entre Brasil e Argentina, intensificado após recentes trocas de críticas entre autoridades dos dois países. O tema também ganhou repercussão por envolver episódios relacionados às eleições presidenciais argentinas de 2023 e ao financiamento internacional concedido ao país vizinho naquele período.
O episódio mencionado por Eduardo Bolsonaro remete a julho de 2023, quando o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) aprovou um empréstimo ao governo argentino. Na ocasião, o financiamento foi autorizado em meio às dificuldades econômicas enfrentadas pelo país e antes da realização das eleições presidenciais.
Na época da aprovação da operação, o Palácio do Planalto negou qualquer participação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas negociações para a liberação dos recursos. O governo brasileiro também informou que Lula não tratou do assunto com Simone Tebet, que representava o Brasil no CAF, ressaltando que o pedido de financiamento havia sido apresentado pelo próprio governo argentino à instituição financeira.
Ainda conforme os esclarecimentos divulgados naquele período, a aprovação do empréstimo ocorreu por ampla maioria entre os integrantes da diretoria do banco. Dos 21 votos possíveis, 19 foram favoráveis à operação, enquanto o Brasil detinha apenas um voto no colegiado responsável pela decisão.
Posteriormente, em 25 de agosto de 2023, a Argentina quitou antecipadamente o valor obtido junto ao CAF. Em nota oficial divulgada à época, o banco informou que a operação foi analisada em reunião extraordinária e aprovada com o objetivo de oferecer uma resposta rápida e solidária às necessidades apresentadas por um de seus países acionistas, dentro dos procedimentos previstos pela instituição financeira.