Domingo, 20 de Setembro de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 20 de setembro de 2026
Em agenda no Rio de Janeiro, na sexta-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abordou o tema da segurança pública, considerado um de seus pontos fracos. No mesmo dia, uma pesquisa Quaest mostrou que a violência é tida como o pior problema do País para 28% dos eleitores, à frente da corrupção (22%), da economia (19%) e da saúde (15%).
O presidente e candidato petista à reeleição participou de uma cerimônia para acompanhamento das Ações Integradas para o Enfrentamento ao Crime Organizado no Rio de Janeiro e defendeu a união e a integração entre os entes da Federação para responder aos desafios impostos pelas facções criminosas.
O plano prevê uma cooperação entre o governo federal, o governo estadual e a prefeitura no âmbito da segurança pública. “É inacreditável que o maior (Estado) produtor de petróleo do Brasil viva essa situação na segurança. Esse é um plano piloto para trabalharmos juntos para dar paz e tranquilidade para as pessoas”, disse Lula.
“O que estamos fazendo hoje pode mudar a cara do Rio de Janeiro, tirando o Estado das páginas dos jornais da corrupção para um futuro extraordinário”, acrescentou.
O presidente estava acompanhado do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, do ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil, Wellington César Lima e Silva, do governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, e do prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD).
Couto defendeu que a parceria formalizada “não tem bandeira partidária” e acrescentou que “a segurança não pode caminhar com a visão da política”. Cavaliere reforçou que o sinal dado pelo governo federal é de integração para responder à maior preocupação dos fluminenses, que é a segurança pública. “Já temos uma série de convênios com as diferentes forças de segurança, como a PRF (Polícia Rodoviária Federal), para compartilhar as nossas informações. Fomos a primeira cidade a fazer parte da Estratégia Nacional de Inteligência de Segurança Pública.”
Já o ministro da Justiça defendeu que o projeto piloto a partir do Rio de Janeiro “corrige” um erro da Assembleia Nacional Constituinte de 1987-1988, que resultou na Constituição Federal de 1988, que gerou um “apagamento” do papel da União, já que a responsabilidade direta pelo policiamento ostensivo e investigativo ordinário é dos governos estaduais.
A mensagem foi corroborada por Lula. “No fim da ditadura, era preciso desmilitarizar para tirar os generais do poder. Alguns Estados conseguiram trabalhar muito bem com a missão da segurança, outros não, mas todos os governadores têm o mesmo problema”, sustentou.
Em meio ao crescimento das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), a sensação de insegurança permanece alta.
Nem mesmo a queda de índices de criminalidade tranquiliza a população. A pesquisa da Quaest apontou que o Executivo federal e o Judiciário têm as piores avaliações em relação a ações voltadas para a segurança pública. O levantamento também captou a sensação de insegurança dos eleitores. Para 28% dos entrevistados, a violência é o pior problema do Brasil, e 79% acreditam que a criminalidade aumentou nos últimos dois anos no País.
Questionado, o Ministério da Justiça e Segurança Pública afirmou que a violência e a criminalidade são assuntos prioritários do governo e que a atual gestão vem ampliando a integração entre União, Estados, Distrito Federal e municípios para o combate ao crime organizado. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também foi procurado, mas não se manifestou.
O trabalho do governo Lula para combater a criminalidade foi avaliado de forma negativa por 36% dos entrevistados. No caso da atuação dos magistrados, a avaliação negativa ficou em 35% – 26% e 23% responderam de forma positiva, respectivamente. São os piores índices quando comparados com outras forças de segurança e órgãos do poder público, como prefeituras e governos estaduais. O trabalho da PF, por exemplo, foi avaliado como positivo por 44% dos entrevistados.
Diante da crise de violência, têm crescido, por parte de governantes locais e especialistas, apelos para que a União amplie investimentos no combate à criminalidade. Lula voltou a prometer a recriação do Ministério da Segurança Pública, extinto no fim de 2018. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.