Sexta-feira, 19 de Agosto de 2022

Home Economia Guerra com a vice Cristina Kirchner se agrava e presidente da Argentina vive sua pior crise

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A troca do ministro da Economia da Argentina ampliou o desgaste entre o presidente  Alberto Fernández, e sua vice, Cristina Kirchner, mergulhando o país em uma crise que parece não ter fim. Há meses, Cristina critica abertamente a política econômica, desgastando a gestão de Fernández, da qual procura se diferenciar.

A vice-presidente vê que a situação econômica se agrava rapidamente e procura se diferenciar, como se fosse uma opositora. Essa estratégia visa intervir no governo, mas desautoriza o presidente, agora vazio de qualquer autoridade. Há uma corrosão na cúpula do poder que acelera a crise econômica.

“Estamos diante de uma grave crise política na qual o presidente e a sua vice disputam a liderança. Nessa disputa, a economia é o campo de batalha e o ministro da Economia, uma peça crucial. A renúncia de Martín Guzmán agravou a situação”, avalia o analista político Rosendo Fraga, uma referência no país.

A saída de Guzman, no entanto, é vista como a ponta de uma crise que se alongará pelos próximos dias, quando outras peças que compõem o gabinete presidencial devem ser trocadas. Trata-se do resultado de meses de tensões entre Fernández e Kirchner, que mal têm se falado nos últimos meses. Apenas trocam indiretas em público.

No discurso durante a celebração do aniversário de morte do ex-líder argentino Juan Domingo Perón, na última sexta (1º), Fernández enviou uma indireta para Cristina : “O poder não é de quem tem ou não a caneta, e sim de quem tem a capacidade de convencer. Isso dizia Perón, e nisso acredito”.

Em junho, num raro ato público em que dividiram o mesmo palco, Cristina afirmou que o presidente deveria “usar a caneta com os que têm de dar coisas ao país” —uma referência a empresários poderosos. Fernández escutou, com ar de cansaço e cabeça apoiada nas mãos.

Queixas de Guzmán

O ministro da Economia, Martín Guzmán, advertiu para a falta de apoio político dentro da própria coalizão de governo para tomar decisões. A renúncia chegou através de uma extensa carta de sete páginas, publicada nas redes sociais no exato momento em que a vice-presidente, num ato político, atacava o ministro – um costume dos últimos meses.

“A partir da experiência que vivi, considero que seja primordial que haja um acordo político dentro da coalizão de governo para que quem me substituir tenha o controle centralizado dos instrumentos de política macroeconômica necessários para enfrentar os desafios por diante”, indicou Martín Guzmán na carta de renúncia e, ao mesmo tempo, denunciando o “fogo amigo” que o impediu de avançar.

Durante 30 meses de gestão, iniciada em 10 de dezembro de 2019, Martín Guzmán reestruturou a dívida pública com credores privados externos e com o Fundo Monetário Internacional (FMI), adiando vencimentos da dívida pelos próximos anos. Mesmo assim, a taxa de risco-país se manteve em torno de 2 mil pontos-básicos e, na última semana, subiu a 2.500 pontos, um nível considerado de moratória da dívida.

Inflação e déficit

A insatisfação popular vem aumentando. A inflação já chega a quase 60% ao ano, o desemprego está em 12,1% e a diferença entre o dólar oficial e o chamado “blue” (clandestino) é de mais de 100%. Como o mercado usa o clandestino como base para realizar aumentos, não há como os salários acompanharem a inflação.

Sem acesso ao crédito e sem reservas no Banco Central, a saída para o governo argentino seria reduzir o déficit fiscal, conforme o estabelecido no acordo com o FMI, de 3% do PIB em 2021 para 2,5% em 2022. No entanto, o déficit aumentou a um ritmo de 4%. Para evitar ajustes, o governo optou pela vasta emissão monetária e sem respaldo, alimentando uma inflação galopante e descumprindo o compromisso com o FMI de reduzir a emissão de 3,7% do PIB a 1%. A maioria dos economistas concorda que a inflação de 2022 ficará entre 80% e 100%.

Para recompor as escassas reservas do Banco Central e cumprir o compromisso com o FMI, as fortes restrições no acesso das empresas ao mercado de câmbio tornaram-se proibições, há uma semana. As companhias agora são obrigadas a se autofinanciarem em dólares se quiserem importar. Como as importações de componentes são cruciais para a indústria local, a medida teve forte impacto na produção, na inflação e na taxa de câmbio, pressionando o peso argentino a mais desvalorização.

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