Terça-feira, 09 de Agosto de 2022

Home em foco Mercado de trabalho aquecido nos Estados Unidos

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Recente trabalho acadêmico que tem como coautor o célebre economista Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos, conclui que o mercado de trabalho norte-americano está muito aquecido e provavelmente vai contribuir significativamente para as pressões inflacionárias no país por um bom tempo. O estudo é assinado pelo economista Alex Domash e por Summers, ambos de Harvard.

No ‘paper’, os pesquisadores notam que, historicamente, medidas de aquecimento do mercado de trabalho pelo lado da oferta e da demanda (estas apuradas junto às empresas) tenderam a estar sincronizadas.

Medidas pelo lado da oferta são, por exemplo, a taxa de desemprego e a taxa de não-emprego da população na “prime age” (idade correspondente à principal parte da vida laboral, de 25 a 54 anos) – isto é, as pessoas na “prime age” que não estão empregadas, incluindo desempregados e aqueles fora da força de trabalho, divididas pela população total.

Duas das principais medidas pelo lado da oferta mencionadas pelo autores são a “job vacancy rate”, que é taxa definida pelo número de vagas de emprego sem achar um trabalhador para ocupá-las dividido pela população ocupada mais essas vagas não ocupadas; e a “quits rate”, que é o número de pessoas empregadas num determinado mês que pedem demissão nesse mesmo mês dividido pelo total de pessoas empregadas no mesmo mês.

Tanto no caso da ‘job vacancy rate’ quanto no da ‘quits rate’, quanto maior for a taxa, mais aquecido está o mercado de trabalho.

Divergência

Domash e Summers notam que, com a pandemia, as medidas do mercado de trabalho pelo lado da demanda e da oferta começaram a apresentar certa divergência.

Assim, a taxa de desemprego e a taxa de não-emprego da população em ‘prime age’ estão relativamente elevadas, num nível próximo do ocorrido no final de 2017, e que significa um grau modesto de ociosidade no mercado de trabalho.

Já a ‘job vacancy rate’ e a ‘quits rates’ estão em alta recorde, o que aponta um mercado de trabalho extremamente aquecido.

A proposta do trabalho dos dois economistas, naturalmente, é tentar desembaraçar esses números contraditórios para ajudar os analistas a chegarem a uma fotografia mais precisa do grau de aquecimento do mercado de trabalho dos Estados Unidos e do grau de pressão inflacionária que ele está exercendo.

Com dados nacionais e estaduais, eles investigam a taxa de desemprego, a taxa de emprego da população em ‘prime age’ (neste caso, são os empregados em vez de os não-empregados), a ‘job vacancy rate’ e a ‘quits rate’. Eles também relacionam os quatro indicadores com medidas de “inflação salarial”, isto é, alta de salários.

Uma primeira conclusão é que a taxa de desemprego é melhor para prever pressões inflacionárias do que a taxa de emprego da população em “prime age”. Eles também concluem que as duas medidas pelo lado da demanda, isto é, ‘job vacancy rate’ e ‘quits rate’, têm um poder preditivo de pressões salariais semelhante à da taxa de desemprego.

Eles também encontram que a taxa de desemprego compatível com os níveis muito elevados da ‘job vacancy rate’ e da ‘quits rate’ em dezembro de 2021 seria algo entre 1,2% e 1,7%. O dado efetivo da taxa de desemprego nessa data foi de 3,9%.

Inflação

E, finalmente, eles encontram que o melhor poder preditivo de pressões inflacionárias está exatamente nessa taxa de desemprego “prevista” pelas duas medidas pelo lado da oferta. O que implica, nas palavras dos autores, que “a ‘job vacancy rate’ e a ‘quits rate’ são juntas altamente preditivas de inflação salarial”.

Os autores também decompõem os fatores por detrás da oferta de trabalho insuficiente nos Estados Unidos (alguns com claras relações com pandemia), como excesso de aposentadorias, problemas de saúde ligados à Covid (por vezes prolongados no tempo), restrições à imigração, mudança de preferências dos trabalhadores estimadas pelo salário mínimo pelo qual aceitam trabalhar e alterações demográficas.

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