Terça-feira, 17 de Maio de 2022

Home em foco Na ONU, Estados Unidos dizem que pretextos russos para invadir a Ucrânia podem incluir atentados e armas químicas

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Em uma reunião cercada de expectativa e tensão pelos últimos desdobramentos da crise na Ucrânia, o secretário de Estado americano, Antony Blinken, afirmou que a Rússia pode utilizar pretextos falsos, incluindo supostos atentados terroristas ou ataques com armas químicas, para justificar uma invasão do país vizinho.

Diante dos representantes do Conselho de Segurança da ONU, Blinken afirmou que compartilharia informações detalhadas com o mundo, na tentativa de influenciar a Rússia a abandonar a ideia de uma escalada militar, e descreveu possíveis cenários do que autoridades americanas têm chamado de “iminente” invasão.

“Primeiro, a Rússia planeja fabricar um pretexto para o ataque. Esse poderia ser um evento violento, pelo qual a Rússia culpará a Ucrânia ou uma acusação ultrajante que a Rússia vai levantar contra o governo ucraniano”, disse Blinken, acrescentando que os EUA não possuem informação exata sobre qual acusação exatamente seria utilizada por Moscou.

“Poderia ser um atentado terrorista falso em território russo. A invenção da descoberta de uma cova coletiva. Um ataque a drone contra civis ou um falso – ou mesmo um verdadeiro – ataque com armas químicas”, completou.

A subida de tom do principal diplomata americano ocorre em um momento de acirramento entre Washington e Moscou. Mais cedo, a Rússia expulsou o vice-embaixador dos Estados Unidos, Bart Gorman, sem um motivo específico. O fechamento deste canal diplomático ocorreu após militares ucranianos e separatistas pró-Rússia trocaram acusações de ataques nas últimas 24 horas – e Rússia e Otan discordarem sobre a veracidade de denúncias sobre atrocidades que teriam ocorrido.

O agravamento da crise interna ucraniana fez soar o alerta da Casa Branca e do comando da Otan para o possível “ataque fabricado” de Moscou. Mais cedo, o presidente americano Joe Biden voltou a falar em uma invasão iminente da Rússia, enquanto o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, falou em reforçar a presença militar da aliança no Leste Europeu.

No Conselho de Segurança, Bliken afirmou que informações americanas indicam “claramente” que tropas de solo, aviões e navios de guerra russo devem iniciar um ataque nos próximos dias, sempre sobre a justificativa de defender etnias de origem russa no território da Ucrânia.

“A Rússia pode descrever este evento [o pretexto fabricado] como uma limpeza étnica, ou um genocídio, zombando de um conceito que nós nesta Câmara tratamos com seriedade”, disse Blinken, que ainda descreveu qual poderia ser a dinâmica russa.

“O governo [russo] fará proclamações declarando que a Rússia deve responder para defender os cidadãos russos ou russos étnicos na Ucrânia. Em seguida, o ataque está planejado para começar. Mísseis e bombas russos serão lançados sobre a Ucrânia. As comunicações serão bloqueadas. Ataques cibernéticos fecharão as principais instituições ucranianas. Depois disso, tanques e soldados russos avançarão em alvos-chave que já foram identificados e mapeados em planos detalhados. Acreditamos que esses alvos incluem a capital da Ucrânia, Kiev, uma cidade de 2,8 milhões de pessoas.”

A declaração repercutiu mal na delegação russa no Conselho da ONU, que prontamente respondeu o secretário americano. O vice-chanceler russo, Serguei Vershinin afirmou que os cenários militares criados pelos EUA são “lamentáveis” e “perigosos”, e reiterou a narrativa apresentada pelo Kremlin de que as tropas russas que cercavam a Ucrânia estão voltando para suas bases após a conclusão de exercícios militares.

Apesar da escalada de tensões, Blinken propôs mais uma tentativa de resolução pela via diplomática, convidando o chanceler russo, Serguei Lavrov, para mais uma rodada de negociações na próxima semana, em solo europeu. Os EUA também propuseram novas reuniões do Conselho Otan-Rússia e do conselho permanente da Organização para Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

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