Domingo, 09 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 9 de agosto de 2026
Jacob do Bandolim foi o apelido da vida toda de Jacob Pick Bittencourt, um dos maiores nomes do “chorinho” brasileiro.
Consagrado como compositor e músico, Jacob do bandolim é o autor de “Noites Cariocas” composta em 1957 , um clássico da nossa música.
Ao lado de sua casa, no bairro da Lapa, RJ, tinha um vizinho francês e deficiente visual que tocava diariamente violino, Jacob passava as tardes ouvindo encantado com as melodias.
No seu aniversário de 12 anos, ganhou da mãe o primeiro instrumento, um violino, é claro!
Durante horas sozinho em casa tocava e ensaiava com seu violino, mas não conseguindo se adaptar ao arco , Jacob passou a tocá-lo escondido utilizando grampos de cabelo.
Um dia foi descoberto por uma amiga de sua mãe que disse:
Esse menino tem que tocar bandolim!
Pouco tempo depois ganhou seu primeiro bandolim, um modelo de cuia, napolitano. Foi definitivo.
Jacob estudou em escolas tradicionais do Rio de Janeiro, serviu no CPOR e fez carreira como escrivão da justiça.
Fez muito sucesso em programas de rádio , sem nunca ter estudado música foi sempre autodidata.
Casou-se com D. Adylia e o casal teve dois filhos, Helena e Sérgio Bittencourt.
Os mais antigos irão lembrar de Sérgio Bittencourt , como jurado nos programas de calouros do apresentador Flávio Cavalcanti : “Um instante maestro” e “A grande chance”, programas de TV que foram sucesso em sua época.
Sérgio tinha um temperamento difícil, dizem que era igual ao pai, havia brigas constantes e longos afastamentos entre pai e filho.
Jacob do Bandolim passou sua última tarde em vida no bairro de Ramos em visita a seu amigo Pixinguinha.
Ao chegar na varanda da sua casa, cansado e esbaforido, teve um ataque cardíaco fulminante e morreu em 13 de agosto de 1969, aos 51 anos de idade.
Abalado com a morte do pai, Sérgio voltou para a casa da família na mesma noite do falecimento.
Diante da mesa de jantar onde Jacob costumava se sentar para conversar e tocar, Sérgio compôs a canção : Naquela mesa.
A música carregada de emoção tornou-se um grande sucesso na voz de Elizeth Cardoso e anos depois com Nelson Gonçalves.
Naquela mesa
Naquela mesa ele sentava sempre
E me dizia sempre o que é viver melhor
Naquela mesa ele contava histórias
Que hoje na memória eu guardo e sei de cor
Naquela mesa ele juntava gente
E contava contente o que fez de manhã
E nos seus olhos era tanto brilho
Que mais que seu filho
Eu fiquei seu fã
Eu não sabia que doía tanto
Uma mesa num canto, uma casa e um jardim
Se eu soubesse o quanto dói a vida
Essa dor tão doída não doía assim
Agora resta uma mesa na sala
E hoje ninguém mais fala do seu bandolim
Naquela mesa tá faltando ele
E a saudade dele tá doendo em mim (…)
Sérgio Bittencourt morreu ainda mais cedo que seu pai , faleceu aos 38 anos, deixando esse “presente” para a música popular brasileira.
“Naquela mesa”, neste domingo é também uma forma de lembrar e homenagear os pais que já se foram , nos confortando nesta data das saudades dos tempos da convivência paterna.
Rogério Pons da Silva