Sábado, 08 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 8 de agosto de 2026
O Brasil alcançou um resultado histórico na Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial (IOAI). Na terceira edição da competição, realizada em Astana, capital do Cazaquistão, a seleção brasileira conquistou uma medalha de prata, duas medalhas de bronze e uma menção honrosa na disputa individual, além de alcançar o 1º lugar em uma das categorias da competição por equipes.
Este é o melhor desempenho brasileiro desde a criação da Olimpíada Internacional, consolidando a evolução do país em uma competição que reúne alguns dos jovens mais talentosos do mundo na área de Inteligência Artificial.
Na disputa individual, Miguel Cyrineu Vale, de Campinas (SP), conquistou a medalha de prata. Ícaro Silva da Rosa Linck Fróes, de Canoas (RS), e Gonçalo Franke Franco, de Porto Alegre (RS), receberam medalhas de bronze. Rafael da Silva Pulcinelli, de Santa Amélia (PR), conquistou uma menção honrosa.
O resultado brasileiro ganhou ainda mais relevância na competição por equipes: os quatro estudantes conquistaram o 1º lugar na categoria AI-Native Robotics, que reconhece a solução com o uso mais eficaz de abordagens nativas de Inteligência Artificial aplicadas à robótica. A seleção brasileira foi liderada pelos professores Antônio Carlan e Kristofer Stift Kappel.
Realizada entre os dias 2 e 8 de agosto, a IOAI 2026 reuniu estudantes e equipes de dezenas de países em Astana para uma semana de provas, desafios e atividades acadêmicas envolvendo aprendizado de máquina, ciência de dados, programação, robótica e diferentes aplicações de Inteligência Artificial.
De 965 mil estudantes a uma seleção de quatro
Por trás dos quatro estudantes que representaram o Brasil no Cazaquistão está um dos maiores processos de identificação e formação de jovens talentos em Inteligência Artificial já realizados no mundo. A equipe brasileira foi definida a partir da 2ª Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial (ONIA), que teve 965 mil estudantes inscritos em todo o país.
A ONIA é hoje a maior Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial do mundo, reconhecimento destacado pela própria organização da International Olympiad in Artificial Intelligence.
A competição brasileira envolve estudantes do 8º ano do Ensino Fundamental ao último ano do Ensino Médio e é organizada pela EDUSPACE, pelo Hub de Inovação em Inteligência Artificial da Universidade Federal de Pelotas (H2IA/UFPel) e pelo Instituto de Inteligência Artificial do Laboratório Nacional de Computação Científica (IIA/LNCC), unidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).
A Olimpíada foi concebida não apenas para encontrar os estudantes que representarão o Brasil internacionalmente, mas também para ampliar de forma massiva o acesso dos jovens brasileiros ao conhecimento em Inteligência Artificial.
Por isso, a ONIA é estruturada em quatro fases progressivas. As duas primeiras são totalmente virtuais e funcionam como porta de entrada para o tema. Não é necessário conhecimento prévio em Inteligência Artificial para participar. O objetivo inicial é promover o letramento em IA, apresentar conceitos fundamentais e permitir que estudantes de diferentes realidades educacionais tenham contato com essa nova área do conhecimento.
Nas fases seguintes, o nível de complexidade aumenta progressivamente. Os participantes passam a trabalhar com programação, modelos de Inteligência Artificial e aplicações práticas, até chegar ao processo de identificação, seleção e preparação dos estudantes com desempenho suficiente para representar o Brasil internacionalmente.
“Queremos um Brasil protagonista e relevante na área de Inteligência Artificial e que não repita o que ocorreu com outras indústrias estratégicas”, afirma o professor Antônio Carlan, coordenador da ONIA/EduSpace e membro do board da International Olympiad in Artificial Intelligence.
Uma metodologia brasileira que chegou a outros países
O alcance da experiência brasileira ultrapassou as fronteiras do país. Em 2026, 35 países utilizaram a plataforma e a metodologia desenvolvidas pela EDUSPACE em seus processos nacionais relacionados à Olimpíada Internacional de Inteligência Artificial.
O crescimento internacional ocorre em paralelo à expansão da própria ONIA no Brasil. Depois de reunir mais de 700 mil estudantes em sua primeira edição — número que já havia levado a IOAI a reconhecer a competição brasileira como a maior olimpíada nacional de IA do mundo — a segunda edição alcançou 965 mil participantes.
Além da escala, a distribuição dos estudantes premiados demonstra o alcance nacional da competição. Na 2ª ONIA, foram concedidas 28 medalhas de ouro, 75 de prata, 75 de bronze e 35 menções honrosas. Os premiados são oriundos de 18 das 27 unidades da Federação, e 42% são meninas.
Para os organizadores, esses números ajudam a demonstrar que talentos em Inteligência Artificial podem surgir muito além dos centros tradicionalmente associados à formação tecnológica no país — e que ampliar o acesso é uma condição essencial para identificá-los.
O próprio time brasileiro que chegou a Astana ilustra essa diversidade: seus quatro integrantes vêm de três estados e de cidades com perfis bastante distintos — Porto Alegre, Canoas, Campinas e Santa Amélia.
Próxima geração já pode começar
O resultado alcançado no Cazaquistão ocorre no momento em que uma nova geração de estudantes brasileiros começa a trilhar o mesmo caminho.
As inscrições para a 3ª edição da Olimpíada Nacional de Inteligência Artificial estão abertas, e são 100% gratuitas e podem.
Mais do que selecionar uma nova equipe para representar o país, a ONIA busca contribuir para a formação de uma geração capaz de compreender, utilizar e desenvolver Inteligência Artificial, uma tecnologia que já ocupa posição estratégica na economia, na ciência e no desenvolvimento das próximas décadas.