Segunda-feira, 03 de Agosto de 2026
Por Redação Rádio Pampa | 2 de agosto de 2026
As exportações brasileiras para a Argentina perderam força no primeiro semestre de 2026. Após um período de alta registrado no ano passado, quando o país vizinho ampliou as compras de produtos brasileiros, as vendas recuaram 19,4% entre janeiro e junho, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).
No período, o Brasil exportou US$ 7,4 bilhões para a Argentina, contra US$ 9,1 bilhões no mesmo intervalo de 2025. Com isso, a participação do mercado argentino nas exportações brasileiras caiu de 5,5% para 4%. A queda ocorre em meio a uma mudança no perfil das importações argentinas.
Dados do Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec) mostram que a China voltou a superar o Brasil como principal fornecedora de produtos para a Argentina no primeiro semestre.
Os argentinos compraram US$ 7,98 bilhões em mercadorias chinesas, enquanto as importações vindas do Brasil somaram US$ 7,35 bilhões. Apesar do recuo, a Argentina continua sendo o terceiro principal destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
Setor automotivo
A maior perda ocorreu justamente em um dos setores mais importantes da relação comercial entre os dois países: o automotivo. Em junho, os principais produtos exportados pelo Brasil para a Argentina foram:
– Veículos de passageiros (16,9%);
– Partes e acessórios de veículos (7,9%);
– Veículos para transporte de mercadorias (4,3%).
No acumulado do semestre, porém, as vendas de automóveis de passageiros caíram 28,2%, enquanto as exportações de autopeças e acessórios recuaram 28,7% em relação ao mesmo período de 2025.
Na direção contrária, o Brasil ampliou compras de produtos argentinos, principalmente veículos para transporte de mercadorias (26,5%), automóveis de passageiros (10,6%) e trigo e centeio (7%). As informações são da Folha de S. Paulo.
Parte da mudança no comércio coincide com a política de abertura econômica implementada pelo presidente Javier Milei. O governo argentino flexibilizou as regras de importação e criou uma cota anual de 50 mil veículos elétricos e híbridos com tarifa de importação zerada, permitindo que metade desse volume seja atendida por fabricantes chineses.
Além disso, a Casa Rosada simplificou a importação de autopeças, eliminando exigências adicionais de certificações de segurança e ambientais. Na época do anúncio, o então porta-voz do governo, Manuel Adorni, afirmou que a redução do custo das peças ajudaria a aumentar a concorrência e reduzir preços para os consumidores.
As medidas também impulsionaram o avanço das montadoras chinesas no mercado argentino. Em apenas seis meses de operação no país, a BYD passou a figurar entre as dez marcas mais vendidas. Segundo a Acara (Associação de Revendedores Automotivos da República Argentina), a fabricante comercializou mais de 8 mil veículos em 2026, alcançando cerca de 3% do mercado e superando marcas tradicionais como Honda e Nissan.
Outra chinesa, a Baic, também chegou ao grupo das dez montadoras com maior volume de vendas no fim de 2025. O crescimento das fabricantes asiáticas acompanha o aumento das importações chinesas. Em 2025, as compras argentinas de autopeças vindas da China avançaram 80,9%, segundo dados citados pelo governo argentino.
Especialistas apontam que as oscilações no comércio entre Brasil e Argentina são frequentes e costumam refletir fatores como a instabilidade da economia argentina, a demanda da indústria automotiva, o câmbio e o nível de consumo interno.
Ainda assim, a combinação entre a abertura comercial promovida por Milei, o avanço das montadoras chinesas e a perda de espaço da indústria automotiva brasileira ajuda a explicar a mudança no mercado argentino ao longo de 2026.
Tensão diplomática
A divulgação dos dados também ocorre poucos dias após um novo episódio de tensão diplomática entre Brasil e Argentina. Durante um evento do PL que confirmou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência, Javier Milei fez críticas ao presidente Lula (PT) e sugeriu que o governo brasileiro estaria financiando uma campanha contra sua administração.
Em resposta, o Itamaraty convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos. Posteriormente, o governo argentino afirmou que a crise política não deve afetar as relações diplomáticas nem o comércio entre os dois países. (com informações do site UOL)