Sexta-feira, 06 de Novembro de 2026

Home Política PEC da Segurança dá ao Congresso poder sobre normas do Conselho Nacional de Justiça

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A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, aprovada pelo Senado na terça-feira (3), concedeu ao Congresso Nacional o poder de suspender normas e resoluções do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). O dispositivo permite que deputados e senadores interrompam a validade de regras consideradas excessivas pelos parlamentares, especialmente aquelas relacionadas às políticas penitenciárias e de segurança pública.

A inclusão da medida na proposta representa uma ampliação dos instrumentos de controle do Legislativo sobre decisões normativas de órgãos ligados ao Judiciário e ao Ministério Público. O texto foi incorporado durante a tramitação na Câmara dos Deputados e provocou resistência entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e do CNJ, que tentaram retirar o dispositivo antes da votação definitiva.

A preocupação desses setores é que a nova atribuição permita interferências parlamentares em competências institucionais do Conselho Nacional de Justiça, responsável por estabelecer regras administrativas e diretrizes de alcance nacional para o funcionamento do Judiciário.

Na prática, a mudança autoriza o Congresso a suspender atos normativos do CNJ e do CNMP quando os parlamentares entenderem que os órgãos ultrapassaram suas atribuições regulamentares.

Um dos exemplos que ajudam a explicar a controvérsia envolve as regras para o fechamento dos hospitais de custódia, instituições destinadas ao atendimento de pessoas consideradas inimputáveis pela Justiça.

Em 2023, o CNJ aprovou uma resolução que estabelecia prazos para o encerramento dessas unidades, dentro de uma política de reorganização do atendimento e das medidas de segurança aplicadas a pessoas submetidas a medidas judiciais.

A determinação, entretanto, enfrentou resistência de parlamentares da oposição, que consideraram que o conselho havia ultrapassado sua competência ao estabelecer regras com impactos sobre a política penitenciária. Naquele mesmo ano, um decreto legislativo suspendeu a aplicação da resolução.

Com a nova previsão constitucional, o Legislativo passa a contar com um instrumento mais amplo para contestar normas semelhantes, sem depender exclusivamente de iniciativas específicas para cada resolução.

Retirada

A tramitação da PEC também foi marcada por divergências políticas nos bastidores do Senado. Segundo interlocutores ouvidos pelo UOL, havia um entendimento com integrantes da base governista para retirar o dispositivo do texto.

A articulação, porém, não se concretizou. Na avaliação de pessoas que acompanharam as negociações, o governo Lula deixou de defender a exclusão da emenda na etapa final da votação, aproximando-se da posição sustentada pela oposição.

A decisão permitiu que o trecho fosse mantido na versão aprovada pelos senadores, apesar das preocupações manifestadas por integrantes do STF e do CNJ.

O episódio evidencia que a discussão sobre a PEC da Segurança ultrapassou o debate sobre o enfrentamento à criminalidade e alcançou a divisão de competências entre os Poderes da República.

Relator

O relator da proposta no Senado, Rogério Carvalho (PT-SE), afirmou ao UOL que não existe, pelo menos no curto prazo, previsão de modificar o dispositivo aprovado pela Câmara.

Ao comentar a possibilidade de o Congresso suspender normas de órgãos do sistema de Justiça, o senador defendeu a prerrogativa parlamentar e comparou a medida a instrumentos de controle já utilizados pelo Legislativo sobre decisões administrativas.

“A princípio, não tem nenhum bicho de sete cabeças. Se nós temos a prerrogativa de sustar decreto presidencial, sustar decisões da Anvisa e de qualquer órgão, por que não do Judiciário?”, disse.

A declaração indica que o relator não considera necessária uma alteração imediata no texto, mesmo diante das objeções apresentadas por integrantes do Judiciário.

Fachin

O presidente do STF e do CNJ, ministro Edson Fachin, acompanhou a discussão da proposta e procurou interlocutores no Congresso para tratar do dispositivo.

De acordo com o UOL, Fachin conversou sobre o assunto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e com a líder do governo na Casa, Teresa Leitão (PT-PE).

A preocupação institucional está relacionada à possibilidade de o Congresso interferir na validade de normas elaboradas pelos conselhos, responsáveis por regulamentar aspectos administrativos e disciplinares do sistema de Justiça.

A mudança, entretanto, não altera as atribuições do CNJ e do CNMP para conduzir investigações administrativas ou aplicar punições a magistrados e integrantes do Ministério Público. O alcance do novo mecanismo está relacionado à suspensão de atos normativos dos conselhos.

Com a aprovação da PEC, a relação entre Legislativo e Judiciário ganha um novo ponto de tensão institucional, especialmente em temas nos quais resoluções dos conselhos tenham impacto direto sobre políticas públicas de segurança e administração penitenciária. (Com informações do portal Brasil247)

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Entenda os principais pontos da PEC da Segurança Pública
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