Terça-feira, 16 de Abril de 2024

Home Saúde Prótese de mama: todos os modelos podem estar associados ao câncer

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A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, alertou mulheres que têm implantes de mama, ou que estão pensando em obtê-los, que certos tipos de câncer podem se desenvolver no tecido da cicatriz que se forma ao redor do local. Os casos são raros, mas têm sido associados a implantes de todos os tipos, incluindo os com superfícies texturizadas ou lisas, e aqueles preenchidos com soro fisiológico ou silicone.

Os cientistas já haviam associado um câncer incomum, chamado linfoma anaplásico de grandes células (LAGC), principalmente a implantes texturizados, cujos exteriores ásperos provavelmente causam mais inflamação do que os modelos lisos. O linfoma é um câncer que se desenvolve no sistema imunológico.

A FDA confirmou esse vínculo há mais de uma década, mas os implantes texturizados, que eram fabricados pela empresa Allergan, continuaram no mercado até 2019. Depois de 600 casos de câncer ligados ao item, e 33 mortes, o produto foi recolhido inclusive do Brasil, um dos países em que era comercializado.

A oncologista do comitê de tumores mamários da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), Laura Testa, explica que o risco para o tipo de linfoma já era de fato conhecido, mas que o alerta da FDA é importante para que a informação alcance as pessoas que avaliam colocar um implante.

“Temos visto há alguns anos casos relacionados às próteses, inclusive reportados no Brasil. O risco está principalmente associado a esse tipo muito raro de linfoma. A colocação da FDA é muito importante pois muitas vezes essa informação fica restrita a centros acadêmicos e a divulgações científicas. Quando temos um alerta de uma autoridade gera uma repercussão necessária, que leva as mulheres a buscarem se informar mais. Mas não é algo para causar alarme, é extremamente raro”, avalia Laura, que é também chefe do grupo de câncer de mama do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

O novo alerta da FDA chama a atenção ainda para outro tipo de câncer, chamado carcinoma espinocelular, e também para outros tipos de linfoma além do LAGC que podem estar relacionados aos implantes. Mas existem poucos casos documentados: a agência informou estar ciente de menos de 20 carcinomas e menos de 30 linfomas inesperados, ambos no tecido cicatricial (cápsula) que se acumula ao redor do implante mamário.

“Como é muito raro, pode acontecer em qualquer tipo de cirurgia, não tem relação com a técnica, o procedimento ou o material especificamente. A principal mensagem é, se a mulher tem um implante há um tempo e vai fazer um exame de imagem e surge um líquido, isso precisa ser investigado. Não significa que seja um diagnóstico, mas é preciso um acompanhamento”, orienta a especialista.

Apesar dos poucos casos, dada a história dos implantes e o uso generalizado, as autoridades federais de Saúde dos EUA sentiram que a preocupação era justificada. Em alguns casos, as mulheres foram diagnosticadas após anos do procedimento. Entre os sintomas, estavam inchaço, dor, caroços e alterações na pele.

Uma porta-voz da FDA, Audra Harrison, diz que os relatos de novos cânceres eram um “sinal de segurança emergente que estamos vendo com implantes sobre os quais estaremos nos comunicando, separados do LAGC”, o câncer previamente documentado.

O professor de cirurgia plástica da Universidade do Texas, Mark Clemens, no entanto, destaca que linfomas que não são LAGC em mulheres com implantes mamários já haviam sido relatados por cerca de uma década.

“(Mas) se o LAGC já é incomum, estes (outro) são muito raros”, explica o professor. Ele destaca que há muito se sabe que o tecido cicatricial, como resultante da cirurgia de implante mamário, pode produzir carcinoma de células escamosas, por exemplo, outro tipo de tumor.

“Esse carcinoma pode aparecer em qualquer tecido cicatricial. Quando temos um tecido que está cicatrizando significa que houve uma agressão ao local e que nossas células estão reparando aquela área. Então em várias situações, como lesões solares, lesões no pulmão pelo tabagismo, essas células estão trabalhando continuamente para reparar os tecidos, o que leva ao risco para o desenvolvimento de um câncer aumentado. Mas é raro em casos como a cicatriz da prótese”, explica a oncologista Laura Testa.

O alerta chama atenção no contexto em que o implante mamário é o procedimento operatório mais realizado por cirurgiões plásticos no mundo, segundo a última edição do monitoramento global da Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica. De acordo com a instituição, em 2020 foram 1.624.281 próteses colocadas, o que representou 16% do total de 10.129.528 cirurgias realizadas.

O ritmo, no entanto, parece ter parado de crescer. Em comparação com os números de 2016, por exemplo, houve uma queda de 1,5% nos procedimentos. Os Estados Unidos lideram as cirurgias plásticas no geral, e foram responsáveis por 25% dos implantes de mama realizados em 2020, com 371.997 próteses. Já o Brasil, que antes vinha em primeiro na lista, agora aparece em segundo lugar em todas as operações, e com 13,3% do número referente às próteses mamárias, um total de 172.485 operações.

Por outro lado, a quantidade de cirurgias para remover o implante aumenta. No mundo, este foi o 15º procedimento mais realizado em 2020, com 206.826 retiradas, enquanto em 2010 a opção sequer aparecia na lista. No Brasil, foram 25.475 remoções.

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