Domingo, 30 de Agosto de 2026

Home em foco Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos prendeu quase 50 mil pessoas em julho; foi o maior número de detenções registrado em um único mês

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O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) prendeu 49.571 pessoas em julho – o maior número de detenções registrado em um único mês desde o início do segundo mandato do presidente americano, Donald Trump, em janeiro de 2025. Segundo novos dados do governo, fornecidos pelo ICE ao Deportation Data Project, da Universidade da Califórnia em Berkeley, e analisados pela agência de notícias Associated Press, o aumento das detenções mostra que o republicano mantém o avanço de sua agenda de deportações em massa, embora tenha mudado a estratégia adotada nos primeiros meses após voltar à Casa Branca.

Ao mesmo tempo, como parte da ofensiva migratória de Trump, o Departamento de Estado americano anunciou que vai revogar, de forma progressiva, vistos de negócios e turismo de milhares de estrangeiros que pediram asilo nos EUA. Segundo a imprensa americana, a medida pode afetar até 200 mil pessoas e, se concretizada, representaria a maior revogação em massa de vistos de uma só vez na História do país.

Nova tática

Em vez de concentrar esforços em operações de enorme visibilidade em grandes cidades americanas, que provocaram forte reação pública, o governo Trump passou a realizar prisões que recebem menos atenção, mas continuam causando impactos. Entre as novas estratégias estão detenções durante abordagens de trânsito e uma dependência maior de forças de segurança estaduais e locais que assumiram funções de fiscalização migratória. Agentes do ICE também começaram a prender haitianos que perderam proteções contra a deportação.

“Eles mudaram as táticas e estão, se alguma coisa, sendo mais eficazes”, afirma Mark Krikorian, do Center for Immigration Studies, organização que defende restrições mais rígidas à imigração.

As quase 50 mil prisões realizadas em julho representam uma alta de 15% em relação às 43.021 registradas em junho e de 70% na comparação com fevereiro deste ano, quando foram contabilizadas 29.941 detenções.

A nova estratégia já havia sido sinalizada por Markwayne Mullin, secretário de Segurança Interna. Durante sua audiência de confirmação, no início deste ano, ele prometeu manter o ICE longe dos holofotes, sugerindo que a ofensiva migratória poderia adotar uma abordagem mais branda. Seu período à frente da pasta, porém, foi marcado por uma série de tiroteios fatais envolvendo imigrantes e agentes do ICE. Os números mostram que ele não afastou a agência da política de deportações defendida por Trump.

Minnesota

No mês anterior à chegada de Trump à Casa Branca, o ICE havia registrado pouco mais de 8 mil prisões. Naquele período, grande parte delas envolvia imigrantes transferidos de cadeias e prisões municipais ou estaduais para a custódia da agência, com o objetivo de removê-los do país.

Durante o primeiro ano do governo Trump, no entanto, os números começaram a subir. A administração flexibilizou as restrições sobre onde e quem poderia ser preso pelo ICE e destinou bilhões de dólares à agência. Em dezembro, as detenções ultrapassaram 40.177, segundo dados obtidos por meio de uma ação judicial baseada na Lei de Liberdade de Informação dos EUA (FOIA, na sigla em inglês).

O número caiu em fevereiro, porém, depois de dois tiroteios fatais em Minnesota, em janeiro, que provocaram protestos e forte reação de parlamentares democratas. As prisões permaneceram praticamente estáveis durante alguns meses antes de dispararem novamente em junho.

Texas e Flórida

Com o novo aumento, Texas e Flórida responderam por quase 20 mil das prisões realizadas pelo ICE em julho, uma concentração que indica a importância que esses estados adquiriram para as deportações do governo americano. Ambos os locais têm ampliado a cooperação com o ICE por meio dos chamados acordos 287(g), que permitem que forças de segurança estaduais e locais desempenhem, na prática, funções de fiscalização migratória federal.

Abordagens

O crescimento das prisões durante abordagens de trânsito também tem sido percebido em comunidades de imigrantes. Patricia Quiñonez, jornalista da Utahlozanos, que cobre a comunidade de venezuelanos em Utah, afirmou à AP que essas detenções aumentaram significativamente nos últimos meses.

“Eles param você por qualquer motivo, por exemplo, se você não tem carteira de motorista, se o registro do veículo está vencido ou se os vidros são mais escuros do que o permitido. A partir daí, aproveitam a situação e perguntam sobre a imigração”, conta.

Segundo Quiñonez, pessoas com autorizações de trabalho válidas e pedidos de asilo ainda pendentes estão entre as detidas. A jornalista acredita que essas pessoas estejam sendo alvo de discriminação racial. (Com informações do jornal O Globo)

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