Terça-feira, 01 de Setembro de 2026

Home Colunistas TPM: quando até a tampa da pasta de dente vira assunto de casal

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Existem alguns dias do mês em que determinadas mulheres acordam diferentes. Não necessariamente tristes. Nem exatamente bravas. Apenas… perigosamente sensíveis.

A toalha molhada em cima da cama, que durante o restante do mês seria apenas uma toalha molhada, de repente passa a representar a falta de consideração, de parceria e, dependendo do grau da TPM, talvez até os problemas estruturais do casamento.

— Você deixou a toalha aqui de novo.

— Amor, eu esqueci.

— Você sempre esquece.

E lá se foi a toalha. Entrou em cena o “sempre”. Porque TPM tem essa capacidade quase artística de pegar um acontecimento de sexta-feira e puxar para dentro dele todos os acontecimentos desde 2017.

O marido, que inicialmente só havia esquecido a toalha, começa a rever mentalmente suas decisões conjugais. Então, vem a pergunta que nenhum homem deveria fazer em determinadas circunstâncias:

– Você está de TPM?

Silêncio.

Aquela pergunta poderia custar caro. Muito caro. Porque, se ela estiver, você acaba de confirmar que percebeu.

Se não estiver, você acaba de descobrir que existe uma possibilidade de estar em perigo mesmo assim.

É claro que estamos brincando. Mas existe algo muito sério por trás da brincadeira.

A tensão pré-menstrual pode provocar alterações físicas e emocionais. Irritabilidade, ansiedade, tristeza, sensibilidade, alterações no sono, no apetite e na disposição podem aparecer nos dias que antecedem a menstruação.

Para algumas mulheres, esses sintomas são leves e passam rapidamente. Para outras, podem interferir de maneira significativa na rotina, no trabalho e, principalmente, na vida a dois.

E aqui está uma questão que merece ser dita com carinho: TPM explica comportamentos. Não precisa justificar todos eles.

Estar mais sensível não dá autorização para humilhar. Estar irritada não transforma o companheiro em alvo. Estar emocionalmente desregulada não significa que qualquer palavra dita naquele momento deixa de ter consequência.

E, sim, algumas mulheres se aproveitam da TPM. “Estou de TPM” passa a funcionar como uma espécie de salvo-conduto emocional.

Pode reclamar. Pode gritar. Pode ofender. Pode fazer o marido dormir no sofá.

E, no dia seguinte:

– Você sabe como eu fico nessa época.

Ele sabe. Mas saber não significa que precise aceitar qualquer coisa. Por outro lado, também existe o outro extremo: homens que usam a TPM para invalidar tudo o que a mulher sente. “Ah, você só está assim porque está menstruada.”

Essa frase também pode ser uma forma de silenciar. Nem tudo é TPM. Às vezes, ela está magoada mesmo. Às vezes, existe um problema no relacionamento que precisa ser conversado.

Por isso, talvez a pergunta mais madura não seja “você está de TPM?”, mas: “O que você está sentindo e como posso atravessar esses dias com você?”

Relacionamento saudável não exige que ninguém ande em ovos. Exige conhecimento, respeito e responsabilidade.

Ela pode avisar: “Estou mais sensível esses dias. Se eu exagerar, me ajuda a perceber”. E ele pode acolher sem transformar a casa em território de guerra.

Porque parceria também é saber que existem dias em que o outro não está no seu melhor. Mas acolher não significa aceitar violência emocional. E responsabilidade não significa atravessar tudo sozinha.

Quando os sintomas da TPM são intensos, recorrentes e começam a prejudicar relacionamentos, trabalho ou qualidade de vida, é importante buscar avaliação profissional.

O acompanhamento pode envolver ginecologista, psiquiatra e/ou psicólogo, conforme os sintomas. Mudanças no sono, alimentação, atividade física e manejo do estresse podem ajudar algumas mulheres, psicoterapia também pode ser útil para lidar com irritabilidade, ansiedade e os impactos emocionais. Em quadros mais intensos, como o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM), existem tratamentos específicos e a avaliação médica é fundamental.

Afinal, hormônio pode bagunçar o humor. Mas não precisa bagunçar o casamento. E se, nesses dias, você perceber que está prestes a transformar a tampa aberta da pasta de dente em uma crise conjugal…

Talvez, respire. Converse. Peça ajuda. Ou simplesmente vá comer um chocolate. Às vezes, ele não resolve o problema. Mas pelo menos vai amenizar o momento.

Até a próxima consulta.

Tatiane Scotta, psicóloga, sexóloga e palestrante

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